Marcos Brindicci / Reuters
Marcos Brindicci / Reuters

Por doping, Guerrero é suspenso por um ano e fica fora da Copa do Mundo

Atacante testou positivo para benzoilecgonina, metabólito da cocaína; advogados do atleta prometem recorrer da decisão

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2017 | 10h05

Paolo Guerrero, atacante do Peru e do Flamengo, está fora da Copa do Mundo e da temporada 2018. Nesta sexta-feira, o Comitê de Disciplina da Fifa, Justice Anin Yeboah, anunciou que a entidade decidiu punir o jogador com um ano de suspensão, depois de ser flagrado no doping. O jogador vai apelar ao Tribunal Arbitral dos Esportes para tentar reduzir sua punição.

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Os advogados do atacante peruano divulgaram nota oficial sobre a suspensão e garantiram que vão recorrer. "Guerrero e sua defesa receberam com extrema surpresa e decepção o resultado publicado pela Fifa, punindo o atleta com um ano de suspensão, mesmo reconhecendo que o jogador não faz uso de cocaína. As provas são contundentes e somadas à baixíssima concentração do metabólito comum à folha de coca e não justificam em nenhuma hipótese essa decisão. Vamos recorrer até a última instância em busca de justiça e em prol do Jogo Limpo e do Esporte Justo", afirmou Pedro Fida, advogado que representa o jogador. 

A audiência de Guerrero ocorreu na semana passada na sede da Fifa, em Zurique, com a prsença do jogador do Flamengo. Ele foi ouvido depois de seu exame de doping ter dado resultado positivo. Por quatro horas, a acusação apresentou as supostas provas, enquanto os advogados brasileiros do jogador deram sua versão. Ao deixar a audiência, Guerrero declarou que é "inocente". "Vim até aqui, na Suíça, para mostrar isso. Graças a Deus, consegui todas as provas que são fundamentais. Agora, é só aguardar a resposta da Fifa", declarou o atacante, bastante otimista na ocasião. 

O jogador respondia à investigação por ter testado positivo para uso de benzoilecgonina, um metabólito da cocaína, em exame realizado depois do empate em 0 a 0 entre Argentina e Peru, em Buenos Aires, pela penúltima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa da Rússia de 2018. O jogo foi realizado em 5 de outubro. Por isso, ele foi suspenso preventivamente pela Fifa.

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A principal suspeita era sobre o uso de cocaína, mas o atacante garantiu que esta possibilidade já foi descartada pela entidade. "Está descartado o uso de cocaína, isso não conta mais", afirmou o jogador, que ainda explicou: "A quantidade (encontrada de benzoilecgonina) é muito pequena, não chega a ser considerado doping".

Por conta da punição, Guerrero ficou impedido de defender a seleção peruana nas duas partidas da repescagem da Copa do Mundo de 2018, diante da Nova Zelândia. Mesmo assim, o país garantiu vaga no Mundial, que seria o primeiro do atacante. Mas ele não poderá jogar caso a decisão seja mantida. 

Numa decisão anunciada nesta sexta-feira, a entidade optou por uma punição mais rigorosa e não ficou convencida de que a substância encontrada poderia vir da folha de coca. "Depois de analisar todas as circunstâncias do caso, a Comissão de Disciplina decidiu suspender Paolo Guerrero durante o período de um ano", diz o comunicado. "Por ter dado positivo por uma substância proibida, o jogador violou o artigo 6 do regulamento antidoping da Fifa", explicou. 

De acordo com a Fifa, o período de punição começa a valer a partir do dia 3 de novembro de 2017, data em que Guerrero foi suspenso provisoriamente. A suspensão inclui jogos nacionais e internacionais, por clubes e seleções. A Copa da Rússia começará dia 14 de junho de 2018, data em que a punição aplicada a Guerrero ainda esterá em vigor.

DOPING SOCIAL

Juridicamente, a Wada (Agência Mundial Antidoping) não trata nenhuma droga como "doping social", as chamadas substâncias "recreativas". O terno popular existe, mas nem mesmo nas tratativas jurídicas ele é mencionado dessa maneira. Especialistas se valem do termo drogas proibidas, assim como a Wada, que informa anualmente todas as substâncias vetadas para atletas em uma lista atualizada com rigor.

Como a partida em questão foi de uma competição da Fifa, a entidade usa de suas normas e regras para a avaliação e punição do envolvido. A pena padrão é de quatro anos de punição. Pelas regras da Fifa, clubes ou seleções não correm riscos de punição nesses casos. A pena, e responsabilidade, é apenas do atleta. No caso, de Guerrero. 

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