Guga perde e vai às lágrimas no Sauípe

Tenista foi derrotado pelo argentino Carlos Berlocq por 7/5 e 6/1. Competição na Bahia foi a primeira de seu tour de despedida

Chiquinho Leite Moreira, COSTA DO SAUÍPE, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2008 | 00h00

Uma forte emoção e uma ponta de inconformismo marcaram a despedida de Gustavo Kuerten diante do público brasileiro, na sua estréia nas partidas de simples do Brasil Open, na Costa do Sauípe. Guga chorou, não porque perdeu para Carlos Berlocq por 7/5 e 6/1, mas pela impossibilidade de seguir fazendo o que mais gosta: jogar tênis. Seu corpo impôs um limite. Diante desta certeza não sobraram alternativas e o ex-número 1 do mundo rendeu-se à realidade. "Não é que eu não queira mais continuar jogando...peço até desculpas...mas é que não consigo mais", disse Guga, em lágrimas que contagiaram não só o público que acompanhou a partida das arquibancadas, mas todo o Brasil. A ponta de inconformismo apareceu no primeiro set. Guga equilibrou um jogo diante de Berlocq, mas em diversos momentos deixou claro que, não fossem os problemas físicos, seria capaz de atropelar o adversário. Em cada jogada desenhada pelo brasileiro - um ponto vencido, uma esquerda arrasadora aplicada - o tenista Gustavo Kuerten revelava em seu semblante o sonho impossível de continuar jogando e vencendo nas quadras. Mas as dores no quadril começaram a incomodar ainda no primeiro set. Guga teve de sair para ser atendido pelos médicos e na volta à quadra cumpriu apenas o papel de seguir jogando a duras penas, à espera do golpe fatal do argentino Berlocq. Nos últimos pontos, mancava visivelmente, demonstrando todo o esforço para corresponder à expectativa a torcida nas arquibancadas.EMOÇÕESMas a emoção já havia florescido antes do início do jogo, quando Guga chorou ao ouvir a execução da música "Emoções" de Roberto Carlos. Depois da partida, revelou o que sentiu. "Naquele momento passaram-se em segundos toda a minha carreira. Vi que o tênis simboliza a minha vida". Num clima comovente, no qual nem mesmo os mais frios deixaram de se arrepiar, Guga fez um discurso que definiu como "algo mais difícil do que ganhar Roland Garros". Não esqueceu de nada. Para a torcida reservou um lugar especial em seu coração ao dizer "sinto orgulho pelo carinho que conquistei de todos vocês, de toda a torcida brasileira". Para o final, fez a homenagem para o técnico Larri Passos, a quem falou com uma emoção ainda mais forte. Como só os grandes sabem fazer, humildemente reconheceu a importância do treinador e o reverenciou. "O Larri é mais gênio do que eu." O técnico não encontrou palavras para retribuir o gesto do seu pupilo mais famoso, mas certamente as lágrimas foram suficientes para demonstrar sua gratidão pelo gesto.

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