Guga usa sua história para dar virada do esporte no Brasil

Ex-número 1 do mundo será o elo de um projeto para desenvolver atletas, e apoiar treinadores e jogadores jovens

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

Pela primeira vez, alguns dos principais tenistas do Brasil - jovens e nem tão novatos - terão tranquilidade para planejar o calendário de torneios, viagens e os treinamentos. Quem garante é Gustavo Kuerten, ex-número 1 do mundo e tricampeão de Roland Garros. Guga foi o elo que conseguiu viabilizar um projeto que circula há anos na Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e nunca havia saído do papel: uma espécie de centro de referência nacional para o esporte.

Larri Passos, ex-técnico de Guga, será o coordenador técnico do projeto que fará a distribuição de uma verba de quase R$ 2,8 milhões anuais a 15 tenistas, anunciados ontem em evento no prédio dos Correios, no Vale do Anhangabaú.

Os atletas, desde juvenis a profissionais em ascensão, terão apoio logístico e estratégico de quem já esteve no topo. Gustavo Kuerten viabilizou a proposta atraindo patrocinadores - pouco mais de R$ 2 milhões virão de convênio entre Ministério do Esporte, Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e CBT; os Correios completam o valor. Ele funcionará como o "cérebro" do projeto.

"No documento do projeto, meu nome é simbólico. Minha função é tentar dar confiança e harmonia para os treinadores, ser alguém que vai dar segurança e trazer um know-how para eles", diz Guga, que conquistou seu último título de Grand Slam em 2001 e viu uma década ser praticamente perdida sem apoio ao esporte. "A tentativa é resgatar toda minha história e encontrar um jeito de apoiar treinadores e jogadores. Da mesma forma que não faço nada, faço de tudo um pouco neste planejamento."

Guga chega até a entrar em contato com os jogadores do circuito para que os jovens do projeto façam intercâmbio com eles. Nesta semana, durante o US Open, o juvenil Tiago Monteiro treinou três dias seguidos com Rafael Nadal em Nova York por causa do apoio do ex-número 1.

"A gente quer que os jogadores brasileiros se sintam acolhidos e tenham trânsito no circuito, treinem com os melhores, se espelhem neles. É isso que faz a diferença a longo prazo", explica Gustavo Kuerten.

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