Guido festeja fim da fase do ''quase''

Atleta da natação garante vaga nos Jogos; Joanna ainda busca índice

Heleni Felippe, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2008 | 00h00

O nadador Guilherme Guido chegou perto do índice para as mais importantes competições algumas vezes, mas sempre batia na trave, para usar a linguagem do futebol. Deu a volta por cima no Sul-Americano de Natação, no Pinheiros, em São Paulo: é o 10º brasileiro a garantir vaga olímpica na natação. Joanna Maranhão, ao contrário, deixa o torneio preocupada, ainda sem índice nos 400 m medley, em que foi 5ª na Olimpíada de Atenas (2004), o que as mulheres do Brasil não faziam há 56 anos.Joanna chorou no pódio ontem - ganhou o ouro nos 400 m medley (4min49s62)- ao lembrar do tio morto. "Ele deixou uma carta dando forças para eu obter o índice. Não desisto." Usou uma camiseta com a foto do tio Sérgio. A atleta de 20 anos tentava alcançar os 4min45s08 que garantiriam sua ida à Pequim, mas foi mais lenta que no Pan do Rio, em 2007."Estou um pouco triste, queria fazer o índice aqui. Meu tempo piorou, mas também sei que baixar esses 4 segundos não é coisa do outro mundo??, disse Joanna. "Vou tentar até o fim." A última chance será o Troféu Maria Lenk, no Rio, em maio.Guilherme Guido, de 21 anos e 1,94 m, pode pensar na preparação olímpica. Fez o índice nas eliminatórias dos 100 m costas (54s67) e ontem, na final, venceu a prova (55s54). Ele mudou de Limeira para São Paulo para treinar no Pinheiros, junto com o grupo de César Cielo (candidato à medalha olímpica nos 50 m e 100 m livre). Ambos tinham 16 anos. Apareceu para o nado costas em 2004, quando venceu Rogério Romero, finalista olímpico e então dono do estilo, na seletiva para o Mundial de Indianápolis. Tentou treinar nos EUA, mas ficou só quatro meses no Tennessee. "É muita gente junta no treino e um ?porrada-trainning? que nem sempre funciona", diz o técnico Alberto Silva.Guido levou um ano e meio até fazer bons resultados de novo. "Hoje estou a 30 centésimos de segundos do recorde mundial nos 50 m costas e tenho índice, com recorde sul-americano, nos 100", vibra.Mas não esquece o sofrimento: ficou a um centésimo do índice do Mundial de Melbourne e a 5 centésimos da vaga do Pan do Rio, no ano passado.

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