Guimarães, 75 anos, um superatleta

Se alguém pensa que o máximo de esforço físico que faz um septuagenário é jogar dama e dominó, não só está sendo preconceituoso como mal informado, afinal não conhece Joel Guimarães, representante brasileiro no Mundial de Triatlo, que será disputado em maio, em Portugal. O ex-engenheiro civil tem hoje 75 anos e, neste momento, deve estar pedalando, correndo ou nadando quilômetros de distância, atravessando a capital paulista e preparando-se para a sua primeira prova internacional. Exercita-se das 4 horas da manhã até o fim da tarde, isso quando não termina o dia malhando na academia.Guimarães, capixaba que há 40 anos mora em São Paulo, tornou-se um super-homem da terceira idade aos 60 anos, após dois enfartes e uma operação no coração. Recuperado, seu cardiologista lhe deu um ultimato: ou parava de fumar e levar uma vida sedentária ou estava com os dias contados. "Um dia depois da consulta, decidi começar a praticar esporte, fui a pé para o Parque Ibirapuera." Alguns metros depois... "Quase morri e peguei um táxi para voltar para casa." Dois dias depois, de carro, conseguiu chegar a seu destino. Correu dez minutos e ficou 15 dias em casa sem conseguir "entrevado"."Foi passando o tempo e eu fui pegando gosto. Aí não parei mais", conta. Deixou de beber, fumar seus três maços de cigarro por dia e perdeu peso. Tinha 100 quilos, hoje tem 80. Além de triatlo, compete no duatlo, em maratonas e ultramaratonas. "Disputo todo ano a prova da Ilhabela, de 105 quilômetros de distância", diz. "Deixo para trás muito menino de 20 anos."Recentemente, um garoto de 23 anos, "metido a atleta", resolveu acompanhá-lo nos treinamentos. "No meio do dia, passou mal e desistiu", lembra, rindo. Além de se sentir perfeitamente saudável, seu humor é outro. "Antes, eu era mal humorado, hoje sou uma pessoa brincalhona e muito mais feliz", diz.Após o Mundial, Guimarães pretende disputar a maratona na Olimpíada de Atenas. Mas tem um problema. Em sua categoria, acima de 75 anos, existem apenas três ou quatro bons atletas no mundo e o Comitê Olímpico Internacional exige pelos menos cinco para abrir as vagas. "Estou atrás de velhinho que saiba correr."Nos torneios nacionais, Guimarães é imbatível. "Ganhei vários títulos competindo sozinho na minha categoria. Eu brigo mesmo é com o pessoal com mais de 65 e, mesmo assim, levo vantagem", diz. "Para você ter uma idéia, os atletas com mais de 60 completavam as prova de triatlo entre 3h30 e 3h40 minutos. Eu baixei o tempo para 2h45", diz. Sua vaga no Mundial foi conquistada no Rio, em janeiro, quando venceu sem dificuldade o Campeonato Brasileiro.Terminada a entrevista, em plena segunda-feira de carnaval, o aposentado se despediu às pressas. Ainda tinha de completar sua rotina diária de exercícios: 60 a 70 quilômetros de bicicleta, de 1,5 a 3 quilômetros de natação, dependendo do dia da semana, 22 de corrida e, para finalizar, uma hora de musculação.

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