Gustavo Borges avisa: "é a realidade"

Poucos atletas brasileiros que participaram do Mundial de Desportos Aquáticos, em Fukuoka, no Japão, desembarcaram em São Paulo nesta terça-feira - apenas Gustavo Borges, Nayara Ribeiro, Edvaldo Valério e Eduardo Fischer. Assim como o judô, que disputou campeonato em Munique, a natação voltou para o Brasil sem medalhas. Dos quatro nadadores, o melhor resultado foi o de Nayara Ribeiro, que participou da final da prova dos 1.500 m livre.Gustavo Borges afirmou não ter ficado preocupado com o desempenho dos brasileiros na competição. Mas pediu a ajuda do governo e de outros patrocinadores. "Não aconteceu nada demais. Essa é a realidade da natação brasileira atual. Sabíamos que os resultados não iam ser tão diferentes da Olimpíada de Sydney/2000. Hoje a natação só existe por causa dos Correios, mas entre existir e evoluir tem muita coisa. A gente precisa de incentivo de outros parceiros. Os Correios são mais ou menos como o pulmão da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos)", alertou o atleta, prata olímpica nos 100 m livre em Barcelona/92 e que neste Mundial ficou apenas na 12ª posição. Em 1998, no Mundial de Perth, na Austrália, o velocista brasileiro havia ficado com o quinto lugar."Para mim, o Mundial foi uma competição que estava na programação, mas não treinei para ele. Deu para ver que este ano foi de renovação mundial e que precisamos fazer algo para acompanhar o mundo. Lá fora eles investem na área de treinamento, intercâmbio, parte técnica dos atletas... é o projeto que a CBDA está fazendo e que, se for liberado, deve ajudar demais o País", explicou o nadador.Agora, Gustavo Borges vai se preparar para o Troféu José Finkel, em piscina de 25 metros, que será realizado em dezembro, no Rio de Janeiro, para tentar o índice para o Mundial de Piscina Curta, marcado para Moscou, no ano que vem.Edvaldo Valério, que ficou em 15º nos 100 m livre, apoiou Gustavo Borges. "No Brasil, a gente não tem uma piscina para treinar como aquela de Fukuoka, nem mesmo os aparelhos de academia necessários para trabalhar a parte física. No Brasil falta pensar em estrutura para os atletas."O nadador baiano ainda criticou o calendário da CBDA. "Na verdade, não treinei para o Mundial, mas sim para o Troféu Brasil de Natação, em junho, onde consegui o índice para o Mundial. Comecei a treinar forte em janeiro... e isso também abala psicologicamente. Depois disso, fui apenas emendando os treinos até Fukuoka. Em um ano e meio tive apenas duas semanas de treino. Sugiro que as seletivas para o Mundial, por exemplo, sejam feitas em março", afirmou.Ao contrário de Gustavo, Edvaldo não pretende participar do José Finkel. "Tenho uma série de problemas em piscinas curtas. Acho que vou treinar para o Sul-Americano, que será em março, mas ainda devo conversar com meu técnico."A opinião dos dois atletas foi endossada por Nayara Ribeiro, de 17 anos, que entrou para a história da natação brasileira por ser a primeira atleta do País a participar de uma final de Mundial: "Muitos deles tiraram férias depois dos Jogos de Sydney, claro que não teriam o mesmo pique. Meu caso foi diferente porque mudei minha vida completamente por causa do Mundial. Dobrei meus treinos para essa competição e deu certo. Também não conversei muito com os outros sobre isso.?

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