Gustavo Borges - Conselhos de um medalhista olímpico

Dono de um currículo invejável, o nadador é inspiração para a nova geração de atletas. Ele se mostra otimista com os Jogos no Rio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 13h43

SÃO PAULO - Gustavo Borges é o brasileiro com maior número de medalhas olímpicas na natação e considerado um dos maiores da história da modalidade no País. Neste mês, teve um coroamento da carreira ao receber o prêmio de Hall of Honor da Universidade de Michigan, que defendeu por quatro anos. Aos 40 anos, ele olha para trás e vê que todo sucesso foi fruto de seu trabalho. “Os conselhos que daria para quem pensa em ser atleta é sonhar sempre, trabalhar com excelência e celebrar as conquistas”, diz.

Nascido em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ele começou a nadar desde cedo, e aos 9 anos já se destacava entre os garotos de sua escola. A evolução foi gradual e, aos 15, já conseguia índices para disputar competições nacionais de adultos. Dois anos depois teve grande projeção nacional e a partir daí virou referência na modalidade. “Acredito que tanto eu quanto todos da minha geração tiveram um papel fundamental para a geração de hoje.”

Ele também treinou no exterior e passou a colecionar medalhas em quase todas as competições. Com boa estatura, era especialista em provas de velocidade e, no Pan de 1991, em Havana, conquistou um ouro, uma prata e um bronze, todos batendo os recordes sul-americanos na prova.

No ano seguinte, na Olimpíada de Barcelona, quebrou o jejum de 18 anos sem medalha da natação brasileira ao ganhar a prata nos 100 m livre. Ele ficou atrás apenas do lendário Alexander Popov. “Ganhar uma medalha olímpica é um momento marcante de reconhecimento e uma grande satisfação de algo realizado na sua plenitude.”

Gustavo Borges obteve ainda mais três medalhas olímpicas, bateu alguns recordes mundiais e virou exemplo para os mais jovens. César Cielo, por exemplo, treinava com ele no Esporte Clube Pinheiros. Enquanto o primeiro já estava mais perto do final da carreira, o futuro medalhista de ouro olímpico iniciava sua trajetória esportiva. Tiveram um contato de dois anos nas piscinas e isso serviu de inspiração para o garoto, que mais tarde bateria o recorde mundial dos 100 m livre e se lembraria do ‘professor’.

Em sua última participação olímpica, em 2004, após levar as cores do Brasil nas três edições anteriores, Gustavo Borges recebeu a missão de carregar a bandeira do País na cerimônia de encerramento dos Jogos. Saía de cabeça erguida, com quatro medalhas (duas de prata e duas de bronze). “Participar do Jogos é a maior realização do atleta. Lá a gente conhece pessoas, e culturas diferentes se encontram em um grande evento.”

A grande expectativa agora é em relação à participação brasileira nos Jogos de 2016. Gustavo sabe que uma geração de nadadores que tiveram inspiração em suas conquistas estará representando o País nas piscinas. Ele está otimista. “Será um evento fantástico, que celebra todos os aspectos da Olimpíada. Acredito em algo muito especial para o nosso País,”

FRASE DE GUSTAVO BORGES

"Os conselhos que daria para quem pensar em ser atleta é sonhar sempre, trabalhar com excelência e celebrar as conquistas".

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