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Gustavo Borges se despede na quinta

A hora certa de parar, questão que atormenta parte dos atletas, habituados com competições e, muitas vezes, despreparados para o mundo longe do esporte, não foi drama para Gustavo Borges. Aos 30 anos, o nadador mais vitorioso do Brasil planejou minuciosamente para deixar as piscinas. Escolheu o maior palco do mundo, os Jogos Olímpicos de Atenas, como o último torneio da carreira, e investiu na transição da vida de nadador para a de empresário nos últimos quatro anos. Sócio em duas academias e em um bar, palestrante, organizador de eventos e de clínicas, comemora o fim da carreira numa festa, qunta-feira, a partir das 19h30, em São Paulo.Os convidados são atletas, amigos, parentes, pessoas que participaram de sua carreira. A festa terá disputas de baterias de 100 m, na piscina do Clube Pinheiros, seu habitat enquanto treinou no Brasil. E homenagens. O encontro reunirá nadadores da nova geração, como Thiago Pereira e Joanna Maranhão, e da sua geração, como Fernando Scherer, o Xuxa, Teófilo Pereira, Alexandre Massura, Rogério Romero, Cassiano Leal, André Teixera e Edvaldo Valério.O nadador disse que não ia mais nadar após a Olimpíada. E não vai. E até a festa já estava programada pelo economista - profissão para a qual se preparou enquanto nadava, na Universidade de Michigan. O objetivo é marcar o fim da carreira de 21 anos, que reuniu quatro medalhas olímpicas, 19 pan-americanas e outras tantas de Mundiais, de piscina curta e longa. Seu grande ídolo, Matt Biondi, foi convidado, mas não poderá vir. O técnico de Michigan, John Urbanchek, virá.Ainda não teve tempo de sentir saudades das competições. "No início é como férias longa. A saudades virá, mas estou focado em outras coisas. Sei que é difícil saber o momento certo de parar, como parar e o que fazer. O atleta pode estar milionário, mas se não tiver perspectiva, entra em depressão, engorda."Aponta como momentos especiais da carreira o Pan-Americanos de Havana, em 1991, quando ganhou sua primeira medalha de ouro, e a conquista da medalha de prata nos 200 m livre de Atlanta, em 1996, a primeira conquista olímpica que comemorou. A medalha de 1992, nos 100 m, não pode festejar, por causa de uma falha no sensor eletrônico que impediu o registro do tempo na chegada.Maus momentos? Cita dois. Em 1992, na noite anterior aos 200 m, não dormiu direito, acordou nervoso, nadou mal - foi 21.º. "Um desastre." O segundo momento ruim foi nos 100 m livre do Pan-Americano de Winnipeg, em 1999, ao ser laçado por uma cordinha jogada na piscina por um árbitro para deter uma largada escapada. "Aquilo causou um desastre psicológico."Capacitação - Gustavo Borges passou dez anos nos EUA. Voltou para São Paulo em 2000 e acha que a natação brasileira mudou nos últimos 15 anos. Não em termos de infra-estrutura, mas de capacitação técnica. "Temos algumas piscinas boas, no Minas, no Pinheiros, no Júlio Delamare, mas ainda são poucas. Temos talento espalhados por todo o Brasil, como o Káio (Márcio de Almeida) na Paraíba. Mas o técnico brasileiro é estudioso."Observa que nos EUA os treinos são intensos, com muitas competições e a presença do que há de melhor no mundo. E aprova o esquema universitário, em que o nadador estuda enquanto trabalha. "A parte atlética é casada com a educacional. Isso faz os EUA terem bons atletas e profissionais."Se a Austrália tem infra-estrutura e uma natação que em termos de popularidade se assemelha ao futebol no Brasil - "o Ian Thorpe é Deus", exagera -, os EUA tem quantidade incrível de bons nadadores. A infra-estrutura nem se fala, está por todo o país. "Ou os atletas são muito, mas muito bons para serem profissionais e ganhar dinheiro, ou são muito bons e têm a possibilidade, através das bolsas, de estudar, freqüentar excelentes universidades, e ganhar dinheiro a partir disso. Tem excelente infra-estrutura e capacitação de técnicos."No Brasil, Gustavo acha que o assunto sempre cai na questão da falta de dinheiro. Defende, em princípio, o fortalecimento dos clubes que fazem o esporte, como o Minas Tênis e o Pinheiros. "São vários, mas não tantos assim. É preciso ter piscina aquecida, raia boa, bloco, técnicos bem pagos. Para bancar isso é preciso clubes fortes e patrocinadores." A saída defendida é a criação de uma lei de incentivo fiscal. "Para chegar a seleção, o nadador tem de ter passado pelo clube, alguém tem de investir."

Agencia Estado,

27 de outubro de 2004 | 09h25

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