Delfim Vieira/Estadão - 29/09/1998
Delfim Vieira/Estadão - 29/09/1998

Há 15 anos, Ronaldo da Costa se tornava o recordista da Maratona

Mineiro, atualmente com 43 anos, obteve marca em Berlim, onde retorna para ganhar homenagem

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2013 | 07h45

SÃO PAULO - Em 20 de setembro de 1998, Ronaldo da Costa largou para a Maratona de Berlim com um objetivo: usar o rápido percurso da prova alemã para correr os 42.195 m abaixo de 2h08. Em sua segunda vez na distância - no ano anterior, tinha 2h09min07 na mesma Berlim -, venceu. E venceu com o recorde mundial, o quarto (e último) de um brasileiro no atletismo.

A marca histórica de Ronaldo, 2h06min05, veio há 15 anos. Ele terá a chance de celebrar na cidade onde a conquistou. Na terça-feira, o ex-fundista viaja para Berlim, receberá uma homenagem e torcerá por Marilson Gomes dos Santos.

O principal maratonista brasileiro estará na Alemanha também com meta definida - bater, justamente, a marca de Ronaldo, que deixou de ser recorde mundial em 1999, mas permanece recorde sul-americano.

“Como diz o outro, recorde é para ser quebrado. Vou torcer pelo Marilson, que está buscando essa marca há um tempão. Ele merece”, disse o mineiro de Descoberto, com 43 anos e a mesma descontração. “Estou muito feliz por ter sido convidado para voltar a Berlim. Parece que é a primeira viagem da minha vida, é muita ansiedade.”

A vitória e o recorde em Berlim foram o ponto alto da carreira de Ronaldo, que se tornou conhecido ao vencer a São Silvestre de 1994. Depois, uma série de lesões e problemas pessoais impediram a continuidade do sucesso. As dificuldades, até mesmo financeiras, tornaram-se rotineiras.

Mas, em abril de 2012, Ronaldo recebeu uma proposta que afirma ter mudado sua vida. Ele começou a trabalhar no Instituto Joaquim Cruz em um programa de detecção de talentos chamado Rumo ao Pódio Olímpico. Mudou-se para a cidade satélite de Ceilândia, virou assistente técnico e retomou os estudos - agora, está concluindo o ensino médio.

“Eu estava mal, deprimido. Recebi a proposta do Ricardo Vidal (diretor do Instituto) e não tinha dinheiro nem para comprar a passagem para Brasília”, lembra. “Mas eles me ofereceram emprego e estudo, era a oportunidade que eu queria. Quase dois anos depois, sou outro Ronaldo.”

Quando o recorde completou sua primeira década, Ronaldo organizou uma auto-homenagem. Sentia-se abandonado. “Tudo o que eu falo da minha vida é sobre Berlim. Eu queria até me casar nessa data, mas a mulher me apressou”, brinca. Para ele, o dia é do segundo aniversário. “Sempre alguém vai lembrar que um mineirinho de Descoberto bateu o recorde. Não tem jeito.”

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