Há 20 anos, Maguila ia à lona diante de Holyfield

Norte-americano venceu brasileiro no segundo assalto

Wilson Baldini Jr., SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2009 | 00h00

"Espetacular a direita de Rodrigues." O golpe de Adilson Maguila Rodrigues no início do segundo round, que acertou em cheio a cabeça do americano Evander Holyfield, em 15 de julho de 1989, no ringue do Caesars Palace, em Lake Tahoe, Nevada, EUA, entusiasmou o narrador Steve Albert, da Showtime, e milhões de brasileiros que acompanhavam o duelo histórico pela TV Bandeirantes. Mas, a 1min29 do segundo assalto, uma mistura de direto de direita com um swing demoliu o brasileiro e o sonho do País de ver seu representante na disputa pelo principal cinturão do boxe.Maguila, com 100 quilos, começou bem a luta, soltando seus golpes de direita na cabeça do adversário e agredindo a linha de cintura com a esquerda. Holyfield, muito bem preparado (93 quilos), saltava sem parar e estudava o brasileiro. Entusiasmado, Maguila abriu a guarda e acabou levando o contragolpe. "O Dundee (Angelo, treinador) mandou eu ir para cima. levei quatro golpes na cabeça e caí", disse em sua biografia Maguila, a saga de um cabra macho campeão. Angelo Dundee foi técnico de Muhammad Ali, Sugar Ray Leonard e de mais duas dezenas de campeões mundiais. Maguila ocupava o 2º lugar no ranking do Conselho Mundial de Boxe, enquanto Holyfield era o primeiro. Os dois buscavam uma oportunidade para encarar Mike Tyson, campeão unificado dos pesos pesados."Rodrigues começou a luta mais rápido do que eu esperava. Não perdi a calma e busquei minar sua resistência", afirmou Holyfield. The Real Deal (Cara Autêntico) conquistou o cinturão mundial em 1990, ao bater James Buster Douglas, algoz de Tyson oito meses antes. Perdeu o título mais duas vezes e voltou a reconquistá-lo. Teve duelos épicos com Riddick Bowe, Lennox Lewis e Mike Tyson. Aos 46 anos, tem luta exibição marcada para dia 26, na Etiópia. Maguila lutou mais dez anos, mas nunca mais teve chance de conquistar o sonhado título mundial. Carismático, continua sendo, aos 51 anos, muito querido pelos amantes da nobre arte brasileira.

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