Sergio Berezovsky/Estadão
Sergio Berezovsky/Estadão

Há 25 anos, Aurélio Miguel conquistava o primeiro ouro olímpico do judô

SÃO PAULO - A estreia olímpica de Aurélio Miguel demorou quatro anos a mais que o esperado. Mas não poderia ter sido mais saborosa. Há 25 anos, em 30 de setembro de 1988, o paulistano da Vila Sônia, filho de espanhóis, conquistou na Olimpíada de Seul, a primeira medalha de ouro da história do judô brasileiro. Foi, também, a única do País naquela edição olímpica. "Não há dúvida, a competição mais difícil para um atleta é a Olimpíada. Há muita coisa envolvida e a questão do patriotismo é mais forte. Vencê-la é inesquecível."

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2013 | 07h40

 

LEIA TAMBÉM >ACERVO ESTADÃO

Aurélio, então com 24 anos, deveria ter estreado em Jogos Olímpicos na edição anterior, a de Los Angeles, em 1984. Mas uma discussão com o então presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Joaquim Mamede, causou o corte do judoca da equipe nacional. Em seu lugar, foi Douglas Vieira, que voltou com o vice-campeonato. Antes de Aurélio, o Brasil tinha conquistado quatro medalhas olímpicas: além da prata de Vieira, foram dois bronzes (com Luis Onmura e Walter Carmona) em 1984, e a medalha inaugural, de bronze, de Chiaki Ishii nos Jogos de Munique, em 1972.

 

Os embates de Aurélio Miguel com o autoritarismo da família Mamede, que ficou 21 anos à frente da CBJ, foram tão comuns quanto seus títulos dentro do tatame. Antes da Olimpíada de Seul, o judoca havia conquistado a medalha de bronze no Mundial de Essen no ano anterior. Até sua aposentadoria, em 2001, Aurélio conquistou mais duas medalhas mundiais (foi prata em Hamilton-1993 e Paris-97) e ganhou o bronze nos Jogos de Atlanta, em 1996, sua última Olimpíada.

 

Na trajetória até o ouro na categoria meio-pesado, Aurélio superou o britânico Dennis Stewart, o islandês Bjarni Fridriksson, o italiano Juri Fazi e o checo Jiri Sosna. Na finalíssima, superou o alemão Marc Meiling por yuko. Após a conquista de Aurélio, apenas outros dois brasileiros foram campeões olímpicos de judô: Rogério Sampaio, em Barcelona-1992, e Sarah Menezes, em Londres-2012. Aurélio Miguel descreveu a luta que lhe garantiu a vitória inédita, conforme publicou o Estado na edição de 1º de outubro de 1988. "O Melling é canhoto como eu e mais alto, o que dificulta muito. Mas senti o alemão um pouco cansado. Aconteceu que no quarto minuto tive uma pequena queda e então investi contra ele. Tive de forçar. Já ganhei três vezes do Melling e perdi uma. Ele é forte e brigador nos primeiros minutos, depois cede um pouco por falta de fôlego."

 

Campeão olímpico, Aurélio Miguel liderou o rompimento de judocas de elite com a CBJ. As relações do atleta com a entidade só foram reestabelecidas em 1992, às vésperas da Olimpíada de Barcelona. O ex-judoca foi para a Espanha, mas como havia sofrido uma lesão no ombro, não conseguiu chegar ao pódio, o que ocorreria na edição seguinte, em Atlanta. Após deixar os tatames, Aurélio Miguel seguiu para a carreira política. Atualmente, cumpre o terceiro mandato como vereador - é filiado ao PR. Este ano, o ex-judoca foi acusado de receber propina para facilitar a aprovação de alvarás de cinco shoppings em São Paulo, o que nega. O processo de investigação na Câmara foi arquivado. No ano passado, foi eleito presidente da Federação Universitária Paulista de Esportes (Fupe).

Tudo o que sabemos sobre:
judôOlimpíadaAurélio Miguel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.