Há 45 anos, a grande vitória de Stewart

Escocês venceu em Nurburgring com 4min03s2 sobre Graham Hill, o segundo colocado

LIVIO ORICCHIO , ENVIADO ESPECIAL / NURBURG, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h06

Quem não se lembra, ou já ouviu falar, da impressionante vitória de Ayrton Senna no GP da Europa de 1993, em Donington, sob chuva? "A melhor primeira volta de um piloto da história", definiu Max Mosley, presidente da FIA. Ou a brilhante conquista de Michael Schumacher no GP da Bélgica de 1995, quando largou em 16.º e venceu?

O que nem todos sabem, porém, é que uma das performances de piloto mais notáveis de todos os tempos está fazendo hoje 45 anos: o escocês Jackie Stewart, da Matra-Cosworth, equipe liderada por Ken Tyrrell, venceu o GP da Alemanha de 1968, no traçado antigo de Nurburgring, com a maior diferença de tempo até hoje para o segundo colocado: 4min3s2 para Graham Hill, da Lotus.

Lewis Hamilton, da Mercedes, o pole position hoje do GP da Alemanha, Sebastian Vettel, da Red Bull, o segundo, e os demais 20 pilotos do grid não têm ideia do que era largar sob chuva em Nurburgring naquele tempo. "Sequer passaria pela cabeça de Charlie Whiting (diretor de corrida) iniciar a prova se a condição fosse como a de 1968", disse Stewart, em entrevista ao Estado. "Chovia forte e a neblina nos impedia de enxergar além de 200 metros."

O circuito alemão atualmente tem 5.148 metros de extensão, enquanto a versão de 1968, nada menos do que 22.835 metros. "Com visibilidade já era difícil memorizar as sequências de curvas, com muita água e nevoeiro reagíamos de acordo com o que víamos à nossa frente, não identificávamos nada", lembra o escocês. "Eu não me lembro de ter sentido medo dentro de um cockpit como naquele dia. Larguei na terceira fila e, além de não ver nada, havia riachos que cruzavam a pista", conta, rindo.

"Larguei muito bem e pulei logo para terceiro, atrás de Chris (Chris Amon, da Ferrari) e Graham (Graham Hill, Lotus). Ao ultrapassar Graham, logo no início, fiquei com a pista livre, não tinha a cortina de água de todos os demais", explica Stewart. A corrida teria 14 voltas, ou 319,6 quilômetros. "No fim da volta seguinte à que ultrapassei Graham minha vantagem já era de 34 segundos."

Os pneus Dunlop da Matra de Stewart se comportavam melhor no molhado do que os Firestone de Lotus e Ferrari. "Faltando umas três voltas, atravessei um riacho e perdi o controle do carro. Um bandeirinha viu que iria na sua direção e pulou no mato. Por um instante senti dispor de tração e, por sorte, retomei o controle. Que susto!"

Stewart lembra da sensação que tomou conta dele no fim da prova: "Todo piloto tinha um sonho, vencer em Nurburgring, o desafio máximo, pista de 22 quilômetros com todo tipo de curva. E eu havia acabado de conseguir. Com mais de quatro minutos de vantagem. Era o máximo que podia desejar."

Aquele menino estrábico, portador de dislexia, que o impediu de prosseguir os estudos ainda bem jovem, até mesmo zombado ao tentar a carreira de piloto, demonstrara que seu enorme talento superara as limitações naturais. "Diziam que eu não dava para a coisa." Stewart conquistou os títulos de 1969, 1971 e 1973, tornando-se um dos maiores da história da F- 1.

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