Há 45 anos, Muhammad Ali recusava servir o exército dos EUA no Vietnã

Pouco antes das oito horas da manhã de 28 de abril de 1967, Muhammad Ali, campeão mundial dos pesos pesados, compareceu à Junta de Recrutamento e Exame das Forças Armadas dos Estados Unidos, na San Jacinto Street, em Houston, onde fora convocado a se apresentar para ser o exército, com o intuito de servir na Guerra do Vietnã.

Wilson Baldini Jr.,

08 de maio de 2012 | 09h19

Do lado de fora, um grupo de pessoas, na maioria estudantes, aproveitavam a presença da celebridade do esporte para pedir o fim da guerra. “Deixem Ali aqui. Não vá. Não vá.”

Juntamente com 35 recrutas, Ali recebeu a ordem de preencher formulário, passar por exames médicos e aguardar um ônibus que o levaria para Fort Polk, na Louisiana. Na hora do almoço, o grupo recebeu dois sanduíches (um de carne outro de presunto), além de um pedaço de bola, maça e laranja. Muçulmano, Ali se recusou a comer o sanduíche de presunto.

No início da tarde, os recrutas e Ali se enfileiraram diante do tenente Steven Dunkey. Em uma cerimônia simbólica, o oficial chamava o nome do futuro soldado e ordenava que ele desse um passo à frente – dando entrada no exército. O tenente gritou: “Cassius Clay (nome de Ali antes de se tornar muçulmano)! Exército!”. Ali não se moveu. Ele chamou: “Ali”. E o boxeador permaneceu imóvel.

Ali foi levado a uma sala por outro oficial e foi alertado de que a recusa o levaria à prisão por cinco anos, além do pagamento de uma multa. Ali disse que entendia a situação. Os oficiais, então, pediram para que ele escrevesse uma carta, alegando seus motivos.

“Eu me recuso a ser convocado para as Forças Armadas dos Estados Unidos, pois exijo isenção como ministro da religião islâmica.” Dias depois, em uma entrevista, afirmou: “Por que me pedem para vestir uma farda, viajar 10 mil quilômetros e matar vietcongues, se eles nada fizeram de mal para mim?”

A recusa de Ali abalou muita gente, principalmente os afro-americanos, que viam seus filhos em grande maioria no Vietnã. Até ex-campeões dos pesos pesados, como Joe Louis e Rocky Marciano, ficaram contra Ali: “Eu servi quatro anos na Segunda Guerra. Lamento muito e estou envergonhado”, disse Louis. “Clay disse o que não deveria ter dito”, afirmou Marciano.

Em 8 de maio, Ali foi indiciado por um júri federal em Houston. Em 20 de junho, após dois dias de julgamento, um júri composto por seis mulheres e seis homens (todos brancos) levou apenas 20 minutos para condená-lo á pena máxima: cinco anos de prisão e US $ 10 mil.

Após pagamento de fiança, Ali permaneceu livre, enquanto seus advogados buscavam recurso para recorrer da pena. Seu passaporte, assim como sua licença para lutar, foram confiscados. Ele também perdeu o título mundial.

Sem poder lutar, Ali viajou pelos Estados Unidos, dando palestras em faculdades e reuniões muçulmanas. Enquanto isso, Joe Frazier se tornou o campeão dos pesos pesados.

Após três anos afastado, Ali recebeu a licença para lutar em Atlanta, diante de Jerry Quarry, em 26 de outubro de 1970. Foi reconquistar o título mundial em 1974 e em 1978. Parou de lutar em 1981. Mas mito Muhammad Ali será eterno.

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