Há cinco anos, Daiane dos Santos fazia história no Ibirapuera

Ginasta conquistou a medalha de ouro na decisão do solo da Super Final da Copa do Mundo

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2011 | 23h37

SÃO PAULO - Poucos atletas brasileiros tiveram a chance de viver momentos de consagração em um torneio internacional disputado em seu próprio País. Daiane dos Santos, no auge da carreira, foi uma das exceções. A carismática atleta lembra com carinho do dia em que fez o Ginásio do Ibirapuera vibrar com seus giros, piruetas e mortais. Há exatos cinco anos, a ginasta vencia, em casa, a disputa do solo da Super Final da Copa do Mundo, derrotando rivais como a chinesa Fei Cheng, então campeã mundial.

 

O torneio realizado nos dias 16 e 17 de dezembro de 2006, na capital paulista, reuniu os oito melhores ginastas de cada aparelho no biênio 2005/2006. Aquela medalha de ouro foi a última grande conquista da vitoriosa carreira da gaúcha, agora perto da aposentadoria - ao menos, é o que garante. E, na memória de Daiane, foi diante de seus compatriotas que fez uma das melhores apresentações de sua vida, superando até as apresentações nos Jogos de Atenas/2004 e Pequim/2008.


“Pelo momento, pela ocasião, pela música, tudo ajudou. Foi um dia especial, diferente de tudo o que já havia acontecido. Era uma época em que a minha carreira estava bacana, tudo acontecendo certinho”, diz a gaúcha, agora com 28 anos, que voltou à seleção brasileira depois de um grande período de incertezas - no qual superou duas cirurgias e uma suspensão por doping -, para tentar a classificação para sua terceira Olimpíada. A vaga pode vir durante a disputa do evento-teste, que será realizado em Londres, a partir do dia 8 de janeiro.

CASA CHEIA

 

Eram quase 9 mil pessoas no Ginásio do Ibirapuera, para os dois dias de competição. A equipe brasileira deixou o torneio com seis medalhas – duas de ouro (com Daiane e Diego Hypólito, no solo), duas de prata (Laís Souza, no salto, e Daniele Hypolito, na trave) e duas de bronze (Diego, no salto, e Laís, no solo). “O apoio do público foi o mais surpreendente”, lembra Daiane. “Foi muito bacana para a gente ter a casa cheia e a torcida poder ouvir o hino tocar no lugar mais alto do pódio. Foi especial para mim e para todo mundo que participou.”

 

Para conquistar o ouro no solo, Daiane fez sua exibição com a música “Isto aqui, o que é?”, de autoria de Ary Barroso, sucessora do famoso “Brasileirinho”. Mas a principal novidade da apresentação foi a inclusão de um elemento de dificílima execução, o tsukahara esticado, que vale pontuação G (a mais alta).

 

Daiane escolheu a Super Final para apresentar o elemento, uma pirueta com duplo mortal esticado (utilizado na primeira diagonal de sua apresentação), que havia começado a treinar apenas dois meses antes da exibição. Na ocasião, o técnico Oleg Ostapenko afirmou que além de Daiane, apenas outras ginastas no mundo eram capazes de realizar o exercício.

 

Passados cinco anos, a brasileira diz que pode ser a única na ginástica atual a executá-lo. “Acho que agora eu sou a única que faz. Não vi nenhuma menina apresentá-lo, em nenhuma competição.”

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