Philip Fong/AFP
Jogos de Tóquio devem começar em 23 de julho de 2021 Philip Fong/AFP

Jogos de Tóquio devem começar em 23 de julho de 2021 Philip Fong/AFP

A um ano para os Jogos, Tóquio cita esperança em cerimônia discreta

Organização da Olimpíada torce pela melhora da situação da pandemia até a data de início das competições

Redação , Estadão Conteúdo

Atualizado

Jogos de Tóquio devem começar em 23 de julho de 2021 Philip Fong/AFP

Em uma cerimônia discreta nesta quinta-feira, a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio enviou uma mensagem de esperança a atletas, times e países, na data que marca um ano para o início da Olimpíada, transferida para julho de 2021 em razão da pandemia do novo coronavírus. Pela data inicial, os Jogos teriam início nesta sexta, dia 24.

Foi justamente devido à covid-19 que o comitê organizador realizou um evento sóbrio num vazio Estádio Olímpico, na capital japonesa. Num palco pouco iluminado, a nadadora Rikako Ikee atuou como apresentadora, sem a presença de outras pessoas, ao enviar a mensagem, segurando nas mãos uma pequena caixa contendo a chama olímpica.

"Acredito que a chama da esperança vai iluminar este lugar daqui a um ano. Precisamos de esperança para superar as adversidades", declarou a atleta, ela mesma um exemplo de enfrentamento de dificuldades. A nadadora, que fez sua estreia em Olimpíadas no Rio-2016, se recupera de uma leucemia.

"O futuro que havíamos planejado se transformou em algo completamente diferente. O esporte não é somente sobre os atletas. Os espores nos ensinam a importância da solidariedade", afirmou a japonesa.

O evento realizado nesta quinta contrasta com o promovido em julho de 2019, na época faltando também um ano para os Jogos, até então marcados para 2020. Na ocasião, o clima de festa e euforia haviam dado o tom da expectativa local pela Olimpíada e Paralimpíada.

Desta vez, a pandemia e o medo do cancelamento pareceram permear o evento discreto em Tóquio. Nesta quinta, 366 novos casos de covid-19 foram confirmados na capital, um novo recorde diário.

Em abril deste ano, um mês após o anúncio do adiamento dos Jogos, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, havia afirmado que o grande evento esportivo marcaria a "vitória da humanidade sobre o coronavírus".

Ao mesmo tempo, o Comitê Olímpico Internacional (COI) vem afirmando nas últimas semanas que um novo adiamento está fora de questão. Se a pandemia não for contida até próximo da nova data dos Jogos, as competições serão canceladas.

Nesta semana, autoridades locais condicionam a realização dos Jogos, com começo agora marcado para 23 de julho de 2021, ao desenvolvimento de uma vacina para a covid-19. "O primeiro ponto será o desenvolvimento de uma vacina ou de um medicamento", disse Yoshiro Mori, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, em entrevista à TV japonesa NHK.

"Se a situação continuar como está, não podemos (organizar os Jogos)", acrescentou o dirigente, se recusando, no entanto, a pensar nessa hipótese. "Não posso imaginar que tudo se mantenha como está no próximo ano."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

COB tem o desafio de fazer um bom papel

Comitê Olímpico do Brasil refaz planejamento e aplica recursos nas confederações mesmo após diminuição no caixa

Entrevista com

Jorge Bichara, diretor de esportes do COB

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 05h07

Falta um ano para os Jogos de Tóquio, que será em 23 de julho de 2021. A Olimpíada, que inicialmente teria nesta sexta-feira, 24, sua cerimônia de abertura, foi adiada para 2021 por causa da pandemia de coronavírus. E isso obrigou o Comitê Olímpico do Brasil (COB) a repensar as suas estratégias e planejamento para a competição.

Um grupo já está em Portugal, onde a situação da doença está mais controlada. Segundo Jorge Bichara, diretor de esportes das entidade, o objetivo é fazer um bom papel no Japão. "Temos de pensar o tempo inteiro que sim, que vai ter Olimpíada. A condição mais segura é com surgimento da vacina. Acredito que a definição deva vir até março ou abril do ano que vem. De qualquer forma, nossa preparação é 100% focada em que o evento vai ocorrer", avisa. Confira a entrevista ao Estadão.

A Olimpíada começaria nesta sexta-feira. Como foi a logística para mudar tudo após o adiamento?

Refizemos contratos com as cidades, que envolvem contrapartidas sociais, fizemos contato com a companhia aérea, pois já tínhamos pago uma parte das passagens, refizemos contratos de alimentação e de transporte interno. Fornecedores que já estavam enviando contêineres para Tóquio, como da China, com uniformes, seguraram o material. Não precisamos pagar nada esse ano, só uma parcela do contrato de alimentação por causa de produtos que já haviam sido comprados. 

Como o COB superou o período mais crítico da quarentena?

Estávamos organizados para um evento que ocorre a cada quatro anos e isso muda a perspectiva de trabalho, dos prazos, das metas. Atinge confederação, atletas, clubes. Então fizemos cortes nos orçamentos para poder garantir que não houvesse demissões nos nossos filiados. E garantimos que seriam repassados os R$ 120 milhões para as confederações.

É possível ter uma ideia de quanto foi perdido em recursos das loterias?

A queda superou 40% logo nos primeiros meses da pandemia. Foram três meses difíceis de arrecadação. Mas fomos buscar recursos de nossas reservas, de contingência, e utilizaremos se for necessário. Também abrimos uma linha de investimento de R$ 10 milhões para projetos novos de desenvolvimento. E depois ainda veio a proposta de repasse de R$ 200 mil para trabalhar o efeito da pandemia nas confederações (Em 2019, o repasse foi de R$ 286 milhões).

E como foi para os atletas?

No aspecto esportivo começamos a monitorar os principais atletas que nós temos, para ver a condição física inicialmente. Teve gente que conseguiu manter um mínimo de atividade. Então percebemos que o processo de abertura e fechamento do isolamento social seria constante em países de grande extensão, como o Brasil. Surgiu então a ideia de buscar países onde a pandemia estivesse mais controlada e buscar protocolos para fazer isso.

A solução encontrada de levar os atletas para Portugal veio em boa hora?

Sim. Portugal só tem uma fronteira, com a Espanha, possui uma estrutura esportiva de média para boa, clima bom, e essas coisas facilitam nesse processo de retomada. O momento que eles estão agora, de flexibilização progressiva, ainda é mais rigoroso ao nosso maior momento de controle.

Quais modalidades mais sofreram com a pandemia?

As modalidades de esporte coletivo, de combate e de esportes que tenham a necessidade muito grande de requisito técnico de equipamentos foram as que mais sofreram impacto. Como exemplo o vôlei, basquete, futebol, handebol, modalidades de combate porque o atleta precisa se medir com outro, a ginástica e os saltos ornamentais, que sofreram muito porque a inatividade aumenta o risco de lesão. 

Como o Brasil está na preparação em relação aos outros países?

Não só tempo de efeito da pandemia faz diferença, mas a estrutura dos países também, e de como eles estimulam a prática esportiva. Países onde o efeito da pandemia está intenso e a estrutura esportiva não é tão grande vão sofrer um pouco mais. Como o Brasil. Já os Estados Unidos, com estrutra esportiva robusta, criam condição de treinamento isolando grupos. Países menores onde tem controle melhor da pandemia já conseguiram retomar, como muitos países europeus.

E como estão os atletas de modalidades que tinham condições de pódio?

Isaquias e Erlon, da canoagem velocidade, conseguiram cumprir o ritmo normal de preparação. A Ana Marcela Cunha, da maratona aquática, conseguiu se manter em uma boa condição. Já a ginástica perdeu muito e isso preocupa, assim como o vôlei, pois são atletas que estão acostumados a uma intensidade de treinamento. Ja o surfe e vela conseguem buscar espaço onde o controle da pandemia está melhor e ter uma preparação.

É possível definir metas para os Jogos de Tóquio?

Nós buscamos uma boa preparação e fomos monitorando ano a ano o potencial de resultados. Não tenho um número, mas entendia que pelos resultados chegaríamos nos Jogos em boas condições de participação. Agora, é impossível ter um número, e vamos trabalhar para ter um cenário para janeiro e fevereiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Simone Biles diz estar preparada para competir em Tóquio

Ginasta americana se mostra ansiosa para ser novamente campeã após quatro ouros nos Jogos do Rio

Redação, Estadão Conteúdo

23 de julho de 2020 | 11h12

Um dos maiores nomes do esporte olímpico na atualidade, a americana Simone Biles garantiu que vai disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021. Aos 23 anos, a ginasta tinha como plano se aposentar logo após a Olimpíada neste ano, mas o adiamento do evento, anunciado em março passado por causa da pandemia do novo coronavírus, a fez rever o planejamento. E agora, a exatamente um ano do início, garante estar preparada.

"Só podemos controlar o que fazemos, que é o treinamento. É colocar horas de treino e apenas ver o que acontece porque não sabemos o que vai acontecer. É meio difícil porque tem sido uma longa jornada desde que sou ginasta de elite, mas estou pronto para mais uma temporada", disse a ginasta, em entrevista ao jornal americano USA Today.

Logo em sua primeira participação em uma edição dos Jogos Olímpicos, em 2016, a norte-americana conquistou quatro ouros e um bronze nas provas de ginástica artística. Maior campeã mundial da história, ela tem uma chance pequena de também se tornar a maior campeã olímpica da história da modalidade. Para superar a soviética Larysa Latynina (nove ouros, cinco pratas e quatro bronzes), tem de vencer todas as seis provas que disputará em Tóquio.

Para chegar bem em Tóquio, Biles sabe que terá dificuldades, como as enfrentadas neste ano com os adiamentos e suspensões de competições por conta do surto global da covid-19. Primeiro ela diz que ficou frustrada por ter de adiar a aposentadoria depois de dois anos de treinos intensos e triste por ver tantas pessoas impactadas pela pandemia. Depois, se apegou ao lado positivo da situação por poder passar mais tempo ao lado da família.

"Pensei que ficaria entediada e iria querer viajar, mas agora estou bem. Com tudo o que está acontecendo agora, o lugar mais seguro para mim é na minha casa", disse a campeã olímpica, que mora no Estado do Texas, atualmente um estado americano com um grande número de casos de pessoas infectadas.

Desde maio Biles tem treinado em seu ginásio particular, o World Champions Centre, na cidade de Spring. Ela comentou que está se adaptando à nova realidade dos esportes e disse que até topa participar de torneios virtuais caso isso seja necessário no caminho para os Jogos de Tóquio-2020, desde que a Olimpíada não seja cancelada.

"Enquanto a Olimpíada continuar, neste momento eu não me importo como eles vão fazer. Se tivermos que fazer torneios por zoom em nossos ginásios domésticas, não me importo", revelou a ginasta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.