Hamilton coloca McLaren como a favorita à pole

Piloto inglês sobrou no primeiro dia de treinos livres em Interlagos e já se considera como candidato à vitória no GP

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h04

Até antes dos primeiros treinos do GP do Brasil, ontem, parecia que apenas dois pilotos estariam no circuito de Interlagos, Sebastian Vettel, da Red Bull, e Fernando Alonso, da Ferrari. Os dois que disputam o título mundial. Os demais concorrentes seriam meros coadjuvantes do espetáculo. Mas Lewis Hamilton deixou ontem um recado bem claro aos dois: 'Considerem-me como candidato à vitória'. O piloto da McLaren estabeleceu os melhores tempos nas duas sessões livres, de manhã e à tarde.

"Não acredito que Sebastian pudesse ser mais rápido hoje", disse Hamilton, para explicar a felicidade com a marca da tarde, 1min14s026, que espera melhorar ainda mais hoje. "Depois os pilotos se aproximaram de mim, mas eu estabeleci com os pneus macios uma marca oito décimos melhor que todos. Havia muito tempo que um GP não começava tão bem para nós."

A Red Bull vem de três vitórias no GP do Brasil e talvez tenha compreendido, ontem, que a quarta, domingo, exigirá esforços ainda maiores. Hamilton disse ter carro para lutar hoje pela pole. Desconhece, contudo, como o modelo MP4/27-Mercedes vai se comportar ao longo das 71 voltas da corrida. Sofri um pouco com o desgaste dos pneus na simulação. É bem verdade que estava quente hoje e a previsão é de temperatura mais amena amanhã e domingo", disse.

A Pirelli tem em Interlagos os pneus duros e o médios, os mesmos de Austin. Enquanto nos Estados Unidos o asfalto liso gerou problemas de falta de aderência, "em São Paulo os pneus funcionam muito bem", segundo Jenson Button, companheiro de Hamilton, embora com elevado desgaste. Se não chover amanhã, como prevê a meteorologia, administrar esse desgaste dos pneus será desafiador. Hamilton teme a dupla da Red Bull principalmente por isso: "Eles têm um carro que gera muita pressão e por essa razão administra melhor o consumo dos pneus".

Vettel e Alonso vão enfrentar um Hamilton estimulado por o GP do Brasil ser sua última prova pela McLaren. A partir de 2013 correrá ao lado do companheiro de equipe de kart, Nico Rosberg, na Mercedes. Ainda no Texas, Hamilton afirmou: "Quero deixar a McLaren da melhor maneira possível, retribuir um pouco do muito que recebi". A inesperada ultrapassagem em Vettel no GP dos EUA, a 14 voltas da bandeirada, para vencer, mostra a gana desse piloto de 27 anos que conquistou seu título mundial em Interlagos, em 2008.

Button se concentrou em fazer experiência no carro com pouca carga aerodinâmica e com os pneus que a Pirelli distribuirá em 2013. Hoje o inglês deverá ter na sua McLaren acerto semelhante ao de Hamilton e, segundo ele próprio, se inserir na competição também. Ontem Button ficou somente com o 8.º tempo.

Apesar de ambos estarem fora da disputa do título, têm um objetivo bastante claro no GP do Brasil, bem mais importante para a McLaren que eventualmente intrometer-se na luta entre Vettel e Alonso: ajudar a escuderia a superar a Ferrari para terminar o Mundial de Construtores na segunda colocação.

Depois de 19 etapas e a reação de Felipe Massa na segunda metade da temporada, a Ferrari está em segundo, com 367 pontos. A McLaren soma 353. "Vale muito (a segunda colocação)", afirmou Martin Whitmarsh. Entre ser segundo e terceiro na classificação há uma diferença estimada de R$ 40 milhões no prêmio.

O que não vai faltar para os pilotos da McLaren, portanto, é estímulo para conseguir superar a Ferrari. Se por acaso interferir no objetivo de Alonso de conquistar o terceiro título, 'desculpe, mas o problema é dele', com certeza Hamilton responderia.

A sessão de classificação, hoje, começa às 14 horas e terá transmissão ao vivo da TV Globo.

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