Hamilton e Perez, uma nova ordem no Mundial 2013

A transferência do inglês para a Mercedes e do mexicano para a McLaren vai acabar favorecendo Alonso, Vettel e Button

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h05

Logo depois de o diretor de corrida dar a bandeirada ao vencedor do GP do Brasil, no dia 25 de novembro, em Interlagos, oficialmente encerrando o campeonato, Lewis Hamilton e Sergio Perez vão começar a trabalhar para valer nas suas novas equipes. Os desdobramentos na Fórmula 1 da transferência de Hamilton da McLaren para a Mercedes e de Perez da Sauber para a McLaren são imensos.

Por exemplo: Fernando Alonso, da Ferrari, Sebastian Vettel, Red Bull, e Jenson Button, McLaren, já compreenderam que num primeiro momento deverão ter, provavelmente, menos adversários na luta pelas vitórias. A história da Fórmula 1 mostra serem raros os casos de equipes que de uma temporada para a outra dobraram o número de pontos conquistados.

A Mercedes tem hoje, depois de 14 etapas, 136 pontos, quinta colocada, diante de 297 da Red Bull, líder, 261 da McLaren e 245 da Ferrari. Assim, ao menos na primeira metade do próximo campeonato seria surpreendente se a escuderia alemã, mesmo com o notável reforço de Hamilton, disputasse a primeira colocação com regularidade.

O investimento da Mercedes contempla não apenas a contratação de Hamilton, mas uma injeção de dinheiro na estrutura da organização, ainda pequena se comparada a de Red Bull, McLaren e Ferrari.

"Uma das surpresas que tive foi ver como a equipe é pequena", comentou Michael Schumacher, que será desligado da equipe ao final da temporada. "Apenas este ano cresceu fisicamente."

Do outro lado, por mais talentoso que seja Perez, é pouco provável que inicie o campeonato lutando pelas vitórias. "Na Fórmula 1, um piloto vencedor não nasce vencedor, mas se forma vencedor", costuma dizer Jackie Stewart, três vezes campeão do mundo. É o caso de Perez na fase inicial da próxima temporada.

Por essa combinação de razões é que se pode esperar ver, caso Ferrari, Red Bull e McLaren produzam bons carros em 2013, Alonso, Vettel e Button fortalecidos na luta pelo título. O espanhol tanto já sabia disso que sugeriu a Hamilton a mudança da McLaren para a Mercedes. Obviamente não havia outra intenção no "conselho" a não ser enfraquecer Hamilton, mesmo que apenas nas suas primeiras experiências com a equipe alemã.

Ainda a favor de Alonso, Vettel e Button, inicialmente, está a instabilidade emocional de Hamilton quando as coisas não funcionam. "Lewis sabe que tem de esperar mais um pouco, mas sua apreensão é compreensível", falou ao Estado, Martin Whitmarsh, diretor da McLaren. Relacionamento difícil. Perez vai começar a trabalhar na McLaren como grande promessa da Fórmula 1. O que nem todos no próprio time sabem é que o mexicano é um menino de 22 anos de relacionamento difícil. Não é o máximo da humildade. Quando Luca di Montezemolo disse que Perez não tem experiência para defender a Ferrari, quis dizer que o piloto da Sauber não tem o perfil do desejado por sua escuderia.

"Egli non è un uomo squadra", ouve-se de profissionais que militam perto do mexicano, ou seja, não é um homem capaz de trabalhar em equipe. Não tem o que a Ferrari mais valoriza. Perez é muito individualista, embora profundamente talentoso na pista. Até a McLaren e Perez se acertarem, os ensinamentos da Fórmula 1 propõem que haverá um período inicial de ajustes e resultados um pouco abaixo dos possíveis. Mais um ponto para Alonso, Vettel e Button explorarem no começo de 2013.

Todos esses elementos combinados apenas valorizam ainda mais a temporada que vai começar no dia 17 de março na Austrália. Restando seis etapas para a atual acabar, os fãs da Fórmula 1 podem ficar tranquilos. Se este campeonato está sendo sensacional o do ano que vem reúne, desde já, aspectos potencialmente capazes de torná-lo tão ou mais espetacular que o em curso.

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