Hamilton previu certo: terá mesmo torcida na decisão

Fãs do piloto da McLaren acreditam que 20% das 75 mil pessoas que assistirão à corrida, dia 2, torcerão por ele

Daniel Brito, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

Michael Schumacher anunciou, oficialmente, que torcerá para seu amigo Felipe Massa conquistar o título mundial, dia 2 em Interlagos. Fernando Alonso disse que, dependendo das condições, não hesitará em ajudar o brasileiro a desbancar Lewis Hamilton na luta pelo campeonato. Separados por sete pontos na classificação do Mundial, 94 a 87, o piloto da Ferrari precisa chegar em primeiro no GP do Brasil e o inglês não pode terminar em colocação melhor que o sexto lugar. Massa pode ainda ser campeão se for segundo, desde que Hamilton termine no máximo em oitavo lugar.Pode até parecer que a Fórmula 1 tenha lá sua preferência pelo piloto da Ferrari, afinal Hamilton tem assumido postura um tanto arrogante que o está isolando na competição, mas para o piloto da McLaren a realidade é diferente da que a maioria acredita. Para ele, Interlagos não vai receber apenas torcedores de Felipe Massa. E parece ter razão. "Diria que 20% do público no autódromo dará seu apoio a Lewis Hamilton", calcula o consultor de negócios Adriano Lima. A organização do GP do Brasil anunciou que 75 mil pessoas vão assistir à corrida em Interlagos.Lima, a esposa, Denise Galvão, e os amigos Róbson Miguel e Armando Guedes comprovam a previsão do piloto da McLaren, feita logo após sua incontestável vitória no Grande Prêmio da China, domingo. "Sei que o preferido do público em Interlagos será Felipe, mas espero que os torcedores brasileiros me apoiem como um esportista, também", afirmou.Está sendo atendido. "Automobilismo não tem nacionalidade", afirma Guedes, que trabalha como representante comercial. "Até torço para Felipe Massa ganhar a prova, mas quero ver o Hamilton campeão", acrescenta Miguel. Pelo discurso dos brasileiros fanáticos pelo inglês, ele reúne não só a técnica mas o carisma dos grandes pilotos da história da Fórmula 1. "Em 2007, primeiro ano dele no Brasil, eu vi faixas de apoio a Hamilton até de gente que veio da Espanha para assistir ao GP em Interlagos", conta Denise Galvão, auxiliar de enfermagem. "Vendo as imagens do Hamilton pilotando, me vem à memória os tempos de Clay Regazzoni", compara, nostálgico, Guedes. O suíço Gianclaudio Regazzoni ficou caracterizado por seu estilo agressivo. Correu na Fórmula 1 de 1970 a 1980. Sua carreira terminou no dia 30 de março de 1980, no GP de Long Beach, nos Estados Unidos. Sem freios, seu Ensign saiu da pista no fim da reta. Na colisão Regazzoni fraturou a coluna. Viveu até 15 de dezembro de 2006 numa cadeira de rodas, quando faleceu num acidente rodoviário, em Parma, na ItáliaOs torcedores de Lewis Hamilton dão, desta vez, como certa a conquista do título em Interlagos e sequer consideram a possibilidade de uma reprise da falha do ano passado, em que Hamilton errou na China e no Brasil entregando o campeonato quase de graça a Kimi Raikkonen. "Ele amadureceu de uma temporada para a outra", opina Denise. "Depois dos erros da Ferrari, Massa se desobrigou a vencer. Vai dar Hamilton", emenda Lima.

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