Handebol: Bruno segue passos de "SB"

Quando Bruno Felipe de Santana completou um ano de idade, José Ronaldo do Nascimento, o SB, recebia sua primeira convocação para integrar a Seleção Brasileira de Handebol. Hoje, Bruno tem 21 anos e, com o título de melhor armador do Mundial Júnior de 2003, vai brigar por uma vaga na equipe que disputará os Jogos Olímpicos de Atenas. Já SB, que tem 37 anos e joga de armador direito, participará de sua terceira Olimpíada. SB vê sua própria história se confirmando nos passos de Bruno, que também é nordestino. "Sou de Aracaju, ele é de Olinda. Nossa realidade é a mesma, das quadras de cimento, da falta de estrutura. Lá no Nordeste tem muito material humano, mas poucos decidem vir para São Paulo para arriscar no handebol. A maioria decide investir em alguma outra profissão. Tenho orgulho de ver o Bruno, ele é uma aposta do handebol brasileiro", diz SB. O garoto saiu de Olinda aos 17 anos, direto para o Pinheiros, onde atua até hoje. "Comecei como a maioria dos meninos, jogando no colégio, aos nove anos. Fui pegando todas as Seleções de Pernambuco. Em 1998, durante os Jogos da Juventude, o pessoal do Pinheiros viu e me chamou.Minha mãe estava com um pouco de medo porque lá é bem longe, mas ela conhecia o Guga, um atleta que também é do Pinheiros, e me deixou vir", conta Bruno. Ano passado, ele esteve com a Seleção Júnior que ficou com a oitava posição no Campeonato Mundial, realizado em Foz do Iguaçu. Além da colocação, considerada expressiva para a modalidade, o garoto levou o título de melhor armador-central do mundo. Com tal prêmio, ele está tranqüilo na disputa por uma vaga na Seleção que vai à Olimpíada de Atenas. "É mais um desafio, mas estou tranqüilo por tudo que já fiz. Claro que a Olimpíada mexe com todo mundo, é o sonho de qualquer atleta, mas sempre fui com calma. Primeiro eu queria ser o melhor atleta da escola, depois de Pernambuco, e mais para frente quis me destacar na Seleção. O próximo passo é ser um atleta importante na equipe principal, participar de Olimpíadas e jogar no exterior", enumera. Sobre o ídolo SB, Bruno afirma: "Ele é um dos caras que estão há muito tempo na Seleção, é um exemplo. Assim como eu, ele também veio do Nordeste, admiro muito o trabalho dele." Alberto Rigolo, técnico da Seleção adulta, também é só elogios para Bruno: "É um jogador ímpar, que conheço desde que joga no infanto. Ele sempre mostrou muito potencial, e se não achar que o handebol só se ganha dentro, mas também fora da quadra, vai ser um jogador excelente no futuro. Posso afirmar que o Bruno é uma promessa do handebol brasileiro." 31 atletas brigam por 15 vagas em Atenas. A corrida pelas vagas na equipe olímpica já começou. São 15 vagas que serão disputadas por 31 jogadores. O primeiro passo para Rigolo selecionar os jogadores são os testes físicos que vão até sexta-feira, em São Bernardo. Em fevereiro, 22 ficarão no grupo, que terá o corte final em maio. Agberto Corrêa, de 31 anos, é um dos veteranos da equipe. Ele está se recuperando de uma artroscopia no joelho esquerdo, realizada em dezembro. "Tem muita gente boa vindo aí. A disputa vai ser boa, a gente já ganha a medalha antes mesmo de ir para Atenas", diz o armador esquerdo. Fábio Vanini, que há cinco meses passou por uma cirurgia no joelho que machucou nas semifinais do Pan de São Domingos, em agosto de 2003, também está se recuperando. "A parte física, que vai ser muito importante, já está muito bem. Estou esperando para treinar com bola", afirma o ponta-direira.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2004 | 16h46

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