Herói nacional fica fora de delegação da guiné equatorial

Nadador que até foi alvo de chacotas nos Jogos de Sidney virou exemplo para nadadores em seu país

O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h06

Eric Moussambani entrou para a história dos Jogos Olímpicos na edição de Sydney, em 2000, ao mostrar muita dificuldade para nadar na prova dos 100 metros livre. Ele competiu sozinho porque seus outros dois adversários na ocasião, Karim Bare (Níger) e Farkhod Oripov (Tadjiquistão), queimaram a largada e foram desclassificados. Só que, ao cair na água, o atleta de Guiné Equatorial quase não saía do lugar com suas braçadas desengonçadas e parecia que iria se afogar. Em um primeiro momento ele foi alvo de chacota, mas depois o mundo se emocionou com sua história de vida.

O competidor explicou depois da prova que havia aprendido a nadar seis meses antes e que em seu país não havia uma piscina olímpica para praticar. Moussambani fez o tempo de 1 minuto, 52 segundos e 72 centésimos, recorde nacional, mas ficou muito atrás do melhor tempo da competição, do holandês Pieter van den Hoogenband, que bateu o recorde mundial com o tempo de 47 segundos e 84 centésimos. A diferença gritante entre os dois não evitou que o atleta se tornasse um herói em seu país.

Agora, em Londres, a pequena delegação de Guiné Equatorial lamenta a ausência de Moussambani na equipe. Segundo Gaspar Matala Besupa, chefe da missão do país em Londres, o amigo entrou para a história e agora está ajudando a desenvolver o esporte. "Ele foi um pioneiro na natação em nosso país. Agora temos mais de 70 atletas que estão trabalhando com ele, que está fazendo um trabalho de revelação de atletas, já pensando nos Jogos do Rio em 2016", diz.

Gaspar foi um atleta famoso em seu país tanto nas provas de velocidade quanto de fundo. Agora, como chefe da delegação, ele acompanha apenas dois competidores, ambos do atletismo: um rapaz que vai tentar a sorte nos 800 metros e uma mulher do 100 metros com barreira. Segundo o dirigente, a chance de medalha é muito pequena e ele reconhece as dificuldades encontradas para a disputa dos Jogos Olímpicos.

De qualquer forma, ele acha que a Guiné Equatorial tem tudo para crescer esportivamente no cenário internacional nos próximos anos e sonha com uma participação mais relevante nas próximas edições da Olimpíada. "O forte em nosso país é o futebol, depois vem o atletismo, basquete e boxe. Tivemos nos últimos anos um desenvolvimento total do esporte no país, com investimento de infraestrutura", explica.

Gaspar apenas lamenta que Moussambani não pôde estar em Londres. O rapaz que virou sinônimo de espírito olímpico e que não teve vergonha de mostrar que o importante é competir serve de exemplo até hoje para muitas crianças na Guiné Equatorial. E Gaspar espera que ele continue ajudando na formação de atletas e alimentando novos sonhos. "Nós temos muito respeito por ele, por ser um dos primeiros nadadores em nosso país. Infelizmente ele não pôde vir para cá." /Paulo Favero

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