Alex Silva/AE
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Herois do basquete brasileiro se dividem sobre os dissidentes

Convocação de Leandrinho, Nenê e Varejão para Olimpíada de Londres gera polêmica na equipe

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - A convocação de Leandrinho Barbosa e Nenê Hilário para o grupo que disputará a Olimpíada de Londres, no ano que vem, foi assunto dominante na chegada de parte da seleção masculina de basquete, nesta terça-feira à noite, em São Paulo. Os dois atletas pediram dispensa do time que atuou no Pré-Olímpico de Mar del Plata, encerrado no domingo, e que conquistou, após 16 anos, a vaga nos Jogos.

Alex Garcia foi quem teve opinião mais contundente. Apesar de ressaltar que não tem poder de veto nem de convocação, colocou-se contra a participação de Nenê, que atua no Denver Nuggets. "Faz 11 anos que estou na seleção e joguei junto com ele umas duas vezes só", disse o ala de Brasília, um dos veteranos da equipe, ao justificar sua opinião. "O caso do Leandrinho e do Varejão é diferente, eles estão sempre aí com a gente. Contamos com os dois."

Anderson Varejão não atuou na equipe porque está lesionado (passou por uma operação no tornozelo direito em fevereiro), mas chegou a se apresentar à seleção e foi cortado pelo departamento médico da Confederação Brasileira de Basquete - até agora, ele não tem condições de jogo. Leandrinho pediu dispensa ao enviar, no dia da apresentação do grupo, um e-mail alegando motivos pessoais. Dias depois, afirmou que não se apresentou por causa de uma lesão no punho direito e disse que precisaria de descanso para estar em condições de atuar em alto nível. Ele assinou contrato com o Flamengo e já treina no clube.

Nenê, por sua vez, pediu para ser cortado da convocação pouco depois de Rubén Magnano divulgar sua lista, no fim de julho. Também alegou motivos pessoais - sua esposa estava grávida e daria luz ao primeiro filho do casal durante o período em que a seleção estaria em ação.

O próprio presidente da CBB, Carlos Nunes, afirmou em Mar del Plata que Nenê e Leandrinho não deveriam ir para Londres. Ao dizer que dava sua opinião como "basqueteiro, e não como presidente", o dirigente disse que não era justo tirar atletas mais jovens, e que garantiram a vaga do Brasil na Olimpíada, para dar vaga aos ausentes.

Tiago Splitter e Marcelinho Huertas, nomes de força no grupo, não se sentiram confortáveis ao opinar sobre o assunto. "A gente sabia que esse tema iria aparecer aqui, mas não cabe dizer agora quem vai, quem não vai", disse o pivô do San Antonio Spurs. "Eles são amigos, são companheiros e cabe apenas ao técnico fazer a convocação."

SEGUNDA CHANCE

Para Huertas, que agora defenderá o Barcelona, não convém aos jogadores discutir este assunto. O armador afirmou que as pessoas merecem uma segunda chance. "O mais importante é que o Brasil vá para a Olimpíada e consiga triunfar."

Apenas uma parte da seleção desembarcou nesta segunda à noite, no Aeroporto de Guarulhos. Chegaram a São Paulo seis jogadores: Marcelinho Huertas, Tiago Splitter, Alex Garcia, Guilherme Giovannoni, Nezinho e Rafael Hettsheimer.

Os outros atletas desembarcaram apenas no início da madrugada. Por causa do vulcão chileno Puyehue, o grupo precisou deixar Mar del Plata de ônibus e viajou para Buenos Aires, distante seis horas, para poder retornar ao Brasil.

Ao chegarem no País, o grupo se mostrou surpreso com o assédio da imprensa e de curiosos. "Foi a primeira coisa que comentei com o pessoal (sobre o assédio na chegada). Nem quando fomos campeões da Copa América (em 2005 e 2009) isso aconteceu", disse Huertas. "Finalmente temos uma recepção em que podemos falar de uma coisa boa", afirmou, bem humorado, Tiago Splitter.

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