Higuaín fez sua escolha. E a França perdeu gols

Artilheiro do Mundial com três gols, atacante precisou se naturalizar para defender a seleção de Diego Maradona

, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

Em 9 de novembro de 2006, um jovem jogador do River Plate fez sua decisão. E, ao menos pelo que se vê no Mundial da África do Sul, a opção de Gonzalo Gerardo Higuaín não poderia ter sido mais acertada.

Há quase quatro anos, o atacante foi chamado pelo técnico da França, Raymond Domenech, para defender os Bleus em um amistoso contra a Grécia. Sim, o artilheiro da Copa pela Argentina é, na verdade, francês.

Higuaín nasceu em Brest, há 22 anos. Seu pai, Jorge, jogava no país e disse que desistiu de registrar seu filho como argentino por causa da burocracia. O titular da seleção de Maradona viveu apenas dez meses na França e manteve seus documentos europeus até 2007, quando deu entrada no processo de naturalização.

Mas a opção por defender as cores da Argentina não tornou El Pipita, como é conhecido, em unanimidade. O atacante ? que deixou o River no fim de 2006 para jogar no Real Madrid ? só foi convocado por Maradona pela primeira vez em setembro de 2009. A seleção argentina vivia momentos de tensão, correndo risco até não se classificar para o Mundial.

Havia algo de estranho no ar e insinuações de que Maradona nunca o chamaria para a seleção. Higuaín havia sido convocado pelo técnico Sergio Batista para jogar a Olimpíada de Pequim, em 2008. O goleador, porém, não se apresentou. Boatos diziam que Maradona não perdoaria o suposto ato de desprezo e o atacante usou o fato de ser francês para dizer que sem país não ficaria.

Mas o vice-artilheiro do Campeonato Espanhol (27 gols, atrás apenas de Messi, que fez 34) mostrou que era o camisa 9 que os argentinos precisavam. Contra a Coreia do Sul, fez três gols na vitória por 4 a 1. Igualou-se a Batistuta, que também fez o hat trick em uma Copa. / A.R., COM AGÊNCIAS

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