Hipotireoidismo do astro causa polêmica

Médicos estranham declarações de Ronaldo de que doença não poderia ser tratada e teria [br]provocado o sobrepeso

, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ronaldo usou parte de sua última entrevista como jogador profissional na segunda-feira para rebater todas as críticas que recebeu por se apresentar "gordo" no Corinthians. "Há quatro anos, descobri, no Milan, que sofria de um distúrbio que se chama hipotireoidismo, um distúrbio que desacelera o seu metabolismo e para controlar isso teria de tomar uns hormônios que no futebol seriam doping. Então muitos aqui devem estar arrependidos de terem feito chacota do meu peso, não guardo mágoa de ninguém, só queria explicar isso no último dia de minha carreira." O tiro saiu pela culatra.

Segundo o médico do Corinthians, Júlio Stancati, o Fenômeno realmente se apresentou no Corinthians em 2008 com uma disfunção da tireoide. "Mas nos exames médicos feitos em sequência não achamos que os resultados justificassem tratamento", afirmou Stancati.

O astro seguiu sendo analisado periodicamente, até que em janeiro deste ano os exames mostraram que o nível de hormônio no sangue estava alterado. "Aí precisamos iniciar o tratamento, pois a falta de cuidados com a doença pode levar a pessoa a ter problemas cardíacos em alguns casos", disse.

Ou seja: o camisa 9 corintiano não foi submetido a tratamento nenhum nos dois primeiros anos de Corinthians. Dessa forma, fica difícil relacionar o hipotireoidismo com o excesso de peso apresentado pelo craque no período em que esteve no Parque São Jorge.

"Conheço jogadores de futebol que sofrem de hipotireoidismo e têm uma carreira normal. Quanto ao fato de não atingir a forma ideal, existem outros fatores que colaboram para isso", disse o fisiologista Turíbio Leite de Barros.

Outra informação equivocada de Ronaldo durante a entrevista foi o fato de que a utilização de hormônios poderia ser flagrada no exame antidoping. "De maneira alguma. A reposição hormonal não está na lista das substâncias dopantes de nenhuma entidades esportiva", afirmou Fernando Solera, médico responsável pelo antidoping da Federação Paulista de Futebol. "E, se fosse, era só o Corinthians, o médico do clube ou o próprio Ronaldo apresentar um relatório médico, juntamente com exames médicos para que o uso da substância fosse liberado. O jogador é um empregado como qualquer outro e não pode ser impedido de trabalhar por ter uma doença."

Cardiologista e médico do esporte, Nabil Ghorayeb exemplifica: "Temos atletas que tomam o hormônio eritropoietina (EPO) por indicação médica e jogam normalmente pelo mundo sem problemas".

Ronaldo nunca mais se apresentou em forma depois da Copa do Mundo de 2002, na Ásia, quando se sagrou pentacampeão com a seleção brasileira. Ele não repetiu no Real Madrid o mesmo sucesso no Barcelona, nem mesmo tendo ao seu lado os galácticos Zidane, Beckham, Figo e Roberto Carlos.

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