Brynn Anderson/AP
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História de amor de pai e filha cria um campeão no boxe

Deontay Wilder decide subir aos ringues para pagar tratamento de Naieya e se transforma em astro dos pesados

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 07h00

Aclamado pelo público, o filme “O Campeão”, de 1979, narra a saga do ex-campeão de boxe Billy Flynn contra a falta de dinheiro para criar seu pequeno filho T.J.. A história das telas de décadas vai para a vida real. Aos 32 anos, Deontay Wilder, campeão mundial dos pesos pesados pelo Conselho Mundial de Boxe, com 40 vitórias (39 nocautes), decidiu subir aos ringues e encarar os oponentes na nobre arte por causa da filha Naieya.

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Há 13 anos, durante a gravidez da namorada Helen, Wilder soube que o feto sofria de espinha bífida (fechamento incompleto da espinha dorsal e das membranas ao redor da medula espinhal). “Eu estava no consultório e durante o exame o médico nos disse que poderíamos abortar. Eu não poderia fazer isso. De cara, resolvemos encarar o problema com todas as nossas forças”, disse Wilder, que tinha apenas 19 anos na época.

Os primeiros anos da vida de Naieya foram marcados por uma bateria de cirurgias destinadas a dar a ela capacidade de andar. Alguns dos custos foram pagos por programas e organizações de seguros. Wilder largou os estudos e buscou empregos, inclusive o de motorista de caminhão da Budweiser.

“Gostava de brigar na rua. Nunca fui derrotado. Achava que poderia ganhar dinheiro rápido no boxe, mas não sabia que era tão difícil”, revelou Wilder, que iniciou no pugilismo levado por um amigo na academia do técnico Jay Deas, em Tuscaloosa, sua cidade natal, no Alabama, EUA. “Nos primeiros treinos, eu parecia o personagem Bambi aprendendo a andar. As pernas não paravam de tremer.” Mas Wilder havia feito uma promessa para a pequena Naieya. “Papai vai ser campeão do mundo.” Com dois anos de treino, Wilder estava na seleção olímpica e ganhou a medalha de bronze em Pequim-2008.

Com o bom retorno financeiro, o boxeador pôde dar toda a assistência necessária à filha, que deixou a cadeira de rodas. Motivado, Wilder não parou de somar vitórias, agora como profissional. Depois de 33 triunfos consecutivos, ganhou o cinturão do CMB, ao vencer Bermane Stiverne, em janeiro de 2015.

“Eu digo às pessoas que tenho duas personalidades. Fora do ringue, sou Deontay Wilder – o cara que está aqui. Dentro do ringue, sou totalmente diferente. Não me importo com o quanto machuco você. E você também vai me machucar. Mas não posso perder a luta. Tenho uma promessa e tenho de cuidar de meus filhos. Como sempre fiz”, diz o boxeador, de 2,01 metros de altura e 97 quilos.

Enquanto Naieya torce para que o pai não se machuque nos ringues, ela brinca com os irmãos Ava, Deontay Jr. e Dercon. “Nunca tratamos Naieya como uma doente. Ela sempre colocou suas roupas, carregou seu material escolar e hoje é motivo de orgulho ver que ela está tão bem”, comenta o boxeador.

Depois de derrotar o cubano Luis Ortiz, dia 3 deste mês, em Nova York, Wilder se prepara para um possível confronto no fim do ano com o britânico Anthony Joshua, naquela que poderá ser mais uma “Luta do Século”. O papai orgulhoso está mais confiante do que nunca. “Naieya é uma bênção. Sem ela, não seria campeão no boxe.”

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