História de superação na final dos 100 metros costas

Capitã dos Gators, equipe da qual Ryan Lochte faz parte, nadadora Gemma Spofforth obteve recorde após morte da mãe

ALESSANDRO LUCCHETTI , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h04

Gemma Spofforth tem 1,83 metro e 85 quilos. E uma couraça capaz de aguentar várias pancadas da vida. A recordista mundial dos 100m costas perdeu sua mãe para o câncer em dezembro de 2007. Ela teve que se preparar mentalmente para não permitir que o abatimento prejudicasse seu rendimento nos treinos. Decidiu então trabalhar no plantão noturno de uma linha telefônica que dá suporte a pessoas que pensam em suicídio.

"Depois que minha mãe morreu, muita gente me deu apoio. Decidi que poderia dar a mesma contribuição a outras pessoas", disse ela poucos minutos depois de deixar a piscina do Aquatics Centre. A nadadora avançou à final da prova (hoje, às 16h15, horário de Brasília) com o sexto tempo, o que não chega a indicar grande perspectiva.

Martyn Wilby, seu treinador na Universidade da Flórida, em Gainesville, disse ao The Times que a atitude de Gemma foi um exemplo para seus colegas, os Gators (como são chamados os nadadores ligados àquela universidade). "Ela era o coração e a alma, a líder que fez um grande trabalho como capitã dos Gators." Hoje, o mais famoso dos Gators chama-se Ryan Lochte, que, obviamente, a considera um exemplo de conduta.

Em Pequim, Gemma ficou em quarto lugar, mesma posição do 4x100m medley que a equipe britânica, da qual faz parte, alcançou.

No ano seguinte, no Mundial de Roma, bateu o recorde dos 100m costas (58min12), marca que perdura até hoje.

Depois de conquistar o ouro do Europeu de 2010, sua madrasta e a filha dela morreram, também levadas pelo câncer. Seus últimos dias transcorreram no mesmo hospital em que falecera a mãe de Gemma.

A nadadora buscou ajuda de um psicólogo. No Natal, deprimida, apelou para o chocolate. Seu bom trabalho nos treinos foi o suficiente para mantê-la na equipe britânica, apesar do sobrepeso.

Um dia, em uma estação de metrô, viu um anúncio publicitário com os anéis olímpicos. Percebendo que não queria de jeito algum ficar fora do grande evento na capital de seu país, esforçou-se e obteve a classificação.

Brasil. Ontem, sem Cesar Cielo, que se preservou, o 4x100m do Brasil ficou em nono nas eliminatórias. O pódio ficou com França, Estados Unidos e Rússia. Fabíola Molina ficou em 24º lugar nos 100m costas (1min01s40). Daniel Ozerchowski ficou em 28º (55s16) nos 100m costas.

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