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História do esporte mostra que filhos de lendas costumam não vingar

Edinho, filho de Pelé, não chegou nem perto do que seu pai fez no futebol

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2021 | 10h00

A trajetória de Nico Ali Walsh no boxe não deverá ser tranquila. A história do esporte mostra que filhos de lendas costumam não vingar quando apostam em carreiras semelhantes às de seus pais. A pressão exercida por causa do nome famoso prejudica o andamento da carreira por causa de cobranças excessivas e comparações inevitáveis e, por muitas vezes, absurdas.

O caso mais marcante para o esporte brasileiro foi Edinho, filho de Pelé, que não teve nos anos 90 o desempenho que o pai teve com a camisa 10 do Santos nas décadas de 1950, 60 e 70. Já no Palmeiras, o maior ídolo alviverde de todos os tempos, Ademir da Guia jogou tanto ou mais bola do que o pai, Domingos da Guia, zagueiro da seleção brasileira na Copa de 1938 e de times como Vasco, Flamengo, Corinthians e Boca Juniors.

No vôlei, Bruninho, atual levantador da seleção, superou o pai, Bernardinho, que em sua época de atleta foi reserva de William. Já no basquete, Helinho tem sucesso como técnico, mas não atingiu o nível do pai, Hélio Rubens. Na Fórmula 1, Christian Fittipaldi, embora tenha sido piloto de F-1 nos anos 90, não chegou perto do brilho do tio Emerson, bicampeão mundial. Todos são exemplo de familiares que tentaram seguir a carreira esportivo de pais, tios e avôs que brilharam em determinadas modalidades.

Já na NBA, onde existe uma tradição de filhos seguirem a carreira dos pais, Luke Walton foi bicampeão sem ser genial como o pai Bill Walton, MVP e campeão na temporada 1977. Klay Thompson, astro do Golden State Warriors, joga mais do que o pai, Michael Thompson, número um do draft de 1978 e bicampeão com os Lakers, de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar nos anos 80.

Outro que já superou o pai no basquete dos Estados Unidos e que também é dos Warriors é Stephen Curry, filho de Dell Curry, que foi apontado como o melhor sexto jogador da liga, mas não teve o mesmo sucesso da cria. No boxe, Floyd Mayweather 'nocauteou' o pai homônimo, ao se tornar, além de um supercampeão dentro do ringue, um dos esportistas de maior faturamento em todos os tempos, ultrapassando a marca de US$ 1 bilhão em faturamento. O garoto Ali sempre terá a sombra do avô. Depende dele apenas se tornar um bom boxeador. Assim como Edinho, será muito difícil ele superar os feitos do outro Ali.

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