Histórias de Breno e Mario Fernandes chocam mundo do futebol

Zagueiro do Bayern está preso em Munique, suspeito de ter incendiado a própria casa, e lateral do Grêmio recusou convite para jogar na seleção brasileira

ANELSO PAIXÃO , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h07

Na semana em que o zagueiro Breno foi preso na Alemanha, suspeito de ter incendiado a própria casa, e o lateral-direito Mario Fernandes recusou convite da seleção nacional, o mundo do futebol ficou chocado com o pouco preparo dos jovens brasileiros para o sucesso. A situação dos garotos, ambos com 21 anos, evidenciou o problema que há muitos anos aflige as categorias de base do País: a falta de um trabalho profissional capaz de moldar os jovens para o futuro.

Para psicólogos ouvidos pelo Estado, o maior desafio é convencer clubes, agentes de futebol e até mesmo os atletas de que a questão precisa ser tratada profissionalmente. Ao contrário de grandes corporações e empresas multinacionais, que veem no auxílio psicológico um caminho fundamental para o sucesso de seus profissionais, ainda que executivos bem sucedidos, no futebol esse tipo de apoio é considerado desnecessário. O problema só vem à tona quando grandes jogadores começam a apresentar queda de rendimento em campo e alegam dificuldades de adaptação.

A especialista Andréa Sebben, psicóloga intercultural e autora de vários livros sobre o tema, explica que a sensação de que o dinheiro resolve qualquer problema, comum no futebol, acaba levando a grandes depressões, especialmente quando se percebe que a distância da família, dos amigos e até do idioma inevitavelmente provocam sensação de abandono. "Não se trata de ser pobre e feliz, mas de se sentir amparado. Fora do País, o garoto pode ter um grande salário, mas vive no desamparo, do idioma, do afeto, da família... O dinheiro não dá conta de tudo isso", afirma.

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