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Histórias infantis

O Dia das Crianças foi na semana passada, mas ontem Corinthians e Palmeiras fizeram vir à mente famosos personagens de histórias infantis. A turma alvinegra manteve-se na trilha da saga de Robin Hood, o salteador que roubava dos ricos para entregar aos pobres nos tempos de Ricardo Coração de Leão. O pessoal alviverde comportou-se pelo menos como Cícero e Heitor, os dois irmãos aluados do esperto Prático, das peripécias dos Três Porquinhos.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2014 | 02h02

A associação é simples, quase simplória, mas não resisti. O Corinthians voltou a derrubar concorrente pelo título - ou pelas primeiras colocações - ao bater o Inter, em Porto Alegre, por 2 a 1. Repetiu, dessa maneira, o que havia feito recentemente diante do Cruzeiro, em BH (e no primeiro turno), Atlético-MG (no Brasileiro), São Paulo. Despojou os bem servidos, mas entregou os pontos para Botafogo, Figueirense (duas vezes), Criciúma, Chapecoense, Atlético-PR. Condoeu-se dos que estavam aflitos.

O Palmeiras viveu três rodadas de Prático, o porquinho que reforçava a casa e não dava bola para o Lobo Mau, que bufava, assoprava, mas não derrubava a casa. Assim, garantiu vitórias seguidas, para sair do sufoco da zona de rebaixamento. No Pacaembu, com público excelente e calor sufocante, baixou a guarda como os manos displicentes dos livros e dos quadrinhos e viu o barraco ruir com três contragolpes certeiros do Santos: 3 a 1 que o mantém próximo do bloco dos ameaçados.

Palmeiras e Corinthians tiveram comportamento e destino distintos, seis dias antes do duelo que travarão no próprio Pacaembu. (Antes, tem a rodada do meio da semana, mas o clima já é de dérbi...) Um jogou como nunca e perdeu como sempre. O outro foi sovina no ataque, porém eficiente ao extremo: em dois chutes definiu o placar de 2 a 1 sobre a moçada colorada.

O Palmeiras do primeiro tempo no clássico paulista teve atitude confiante e atrevida, como no desafio com o Grêmio. Desde o início, tratou de controlar o jogo, pressionou, fechou espaços e manteve sob controle os velozes Robinho, Geuvânio e Gabriel. Como requinte, até incomodou Aranha. Dava a impressão de que a ascensão continuaria, e para azar de um rival tradicional e mais ligado na Copa do Brasil.

Engano. Bastaram dois lances rápidos, nos minutos finais que antecederam o intervalo, para pôr a pique a construção palestrina. O trio papa-léguas santista encontrou brecha na lentidão da zaga e, com a ajuda adicional de Lucas Lima, praticamente definiu a vantagem com os 2 a 0. O terceiro, construído da mesma maneira, mas logo no reinício da partida, garantiu a vitória. Henrique ainda descontou, pelo menos para ficar na corrida pela artilharia, se é que isso serve de consolo.

O Palmeiras foi valente - e isso merece aplauso. Para quem tenta livrar-se da corda no pescoço, melhor a ousadia do que gestos covardes. Preferível impor-se, apesar das limitações, do que ficar à espera de milagres. O Santos usou do que tem de melhor - e finalmente encontrou a formação certa no ataque. Damião agora é reserva.

O Corinthians fez o que lhe é usual e corriqueiro: segurou-se no Beira-Rio à custa de marcação forte. O baque do meio da semana, nos 4 a 1 para o Galo e a eliminação na Copa do Brasil, provocaram trauma em Mano e seus jogadores. A aposta recaiu em atrair o Inter. Deu certo, e até além da conta, pois a parte inicial foi fechada com 2 a 0, nas únicas finalizações alvinegras. Conta justa.

O segundo tempo, com menos catimba do que o primeiro, mas com chuva intensa, colocou à prova a resistência corintiana e os nervos do time gaúcho, que fez um gol e ficou no quase, outra vez no quase. O Inter lembra o personagem da antiga "Escolinha do Professor Raimundo", aquele que falava tudo na ponta da língua e, na hora de tirar 10, se enroscava com pergunta fácil.

O Inter faz de tudo para fugir do título, o Corinthians sonha com Libertadores e o Palmeiras volta a rezar para se ver livre da queda.

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