Holyfield não se cansa de desafiar o tempo

O ex-campeão dos pesos pesados por quatro vezes entra no ringue, em Las Vegas, por uma bolsa de US$ 150 mil, aos 47 anos

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

Quatro vezes campeão mundial dos pesos pesados, uma vez campeão dos cruzadores, medalha de bronze na Olimpíada de Los Angeles/1984 e mais de US$ 300 milhões (cerca de R$ 531 milhões) acumulados em 26 anos de uma vitoriosa carreira, que o coloca entre um dos maiores de todos os tempos. Aos 47 anos, Evander Holyfield poderia estar contando para seus netos os feitos em cima dos ringues diante de lendas do pugilismo como Mike Tyson, George Foreman, Larry Holmes, Lennox Lewis e Riddick Bowe. Em vez disso, The Real Deal (O cara autêntico) entra pela 55.ª vez em ação hoje para enfrentar o também veteraníssimo sul-africano Frans Botha, de 41 anos, no Thomas & Mack Center, Las Vegas. O duelo terá transmissão pelo Canal Combate (pay per view da Globosat), a partir das 22 horas (de Brasília). A assinatura custa R$ 40,00.

Segundo os críticos norte-americanos duas são as motivações de Holyfield para continuar seguindo os rígidos treinamentos diários do boxe a ponto de manter o mesmo físico de quando era o campeão unificado.

Primeiro: Holyfield quer entrar para a história com o campeão mais velho dos pesos pesados, superando a marca de George Foreman, que em 1994, aos 45 anos, sagrou-se campeão com um nocaute espetacular no décimo round sobre Michael Moorer, 18 anos mais jovem. A segunda motivação de Holyfield seriam os gastos mensais que mantêm com suas ex-mulheres e com o imposto de suas propriedades. Uma delas de US$ 10 milhões, que o pugilista não consegue encontrar um comprador.

Uma vitória frente a Botha não dará dinheiro e muito menos um título reconhecido mundialmente. Para quem ganhou US$ 30 milhões de bolsa para dar a revanche para Mike Tyson, em 1997 e receber duas mordidas nas orelhas, Holyfield vai ter de se contentar com apenas US$ 150 mil esta noite. Botha vai ganhar US$ 100 mil.

O título colocado em jogo, que está vago, é da Federação Mundial de Boxe, o mesmo que Adilson Maguila Rodrigues ganhou em 1995, ao bater, por pontos, após 12 rounds, em São Paulo, o britânico Johnny Nelson. Não tem validade alguma.

Experiente, Holyfield sabe que a categoria dos pesos pesados está enfraquecida e em crise com a falta de talentos. Portanto, não perde tempo e já lança um desafio ao campeão da Associação Mundial de Boxe, o britânico David Haye. "Ele disse que quer enfrentar grandes rivais. Acho que, então, estou na lista", disse o boxeador, que perdeu suas duas últimas lutas. Em 2007, perdeu por pontos para o russo Sultan Ibragimov, em Moscou, quando o cinturão da Organização Mundial de Boxe estava em jogo. No ano seguinte, também foi derrotado após 12 assaltos pelo gigante russo Nikolay Valuev, de 2,13 metros, e perdeu a chance de ganhar o título da Associação Mundial de Boxe.

"Continuo com o mesmo objetivo. Quero unificar o título dos pesados antes de me aposentar", disse Holyfield, que ostentou os três principais cinturões em 1990, após nocautear James Buster Douglas, no terceiro assalto.

Botha é reconhecido pela forte pegada. Chegou a ganhar o título da Federação Internacional, em 1995, mas foi pego no antidoping para anabolizantes. Tentou muito, mas nunca conseguiu sair do segundo escalão dos pesados. Perdeu duelos importantes para Mike Tyson, Lennox Lewis e Wladimir Klitschko. Em busca de dinheiro, chegou a lutar no K-1, que reúne regras semelhantes às do boxe tailandês.

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