Homem do vôlei é um dos pilares do novo Santo André

O polêmico Ricardo Navajas, 3 vezes campeão da Superliga como técnico, coordena a base e a parte estrutural do clube

Ana Paula Garrido, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

Ele ganhou fama nas quadras pelos títulos e polêmicas. Depois de conseguir o feito de levar a seleção da Venezuela às Olimpíadas de Pequim, em 2008, se desentendeu com o time e foi buscar novos ares. Tornou-se uma das apostas para reestruturar o time de futebol do Santo André.

E pelo jeito, deu certo. O ex-técnico de vôlei, Ricardo Navajas, tricampeão da Superliga pelo Suzano, chegou ao ABC no final de outubro. Mudou de time e posição. Agora trabalha na área administrativa e coordena a categoria de base. "Analiso quais campeonatos vamos jogar", explica.

Missão bem mais difícil do que parece. Depois da Venezuela, Navajas exerceu função semelhante à atual pela equipe de Poços de Caldas, o Vulcão, time da segunda divisão do futebol mineiro, onde as instalações são mais precárias do que as do Santo Andre. "Porém, quanto maior o time, mais trabalho e cobrança se tem", observa. Entre as metas para o clube do ABC estão a construção de dois ou três campos de treinamento, salas de musculação e fisioterapia, além da reforma do estádio Bruno José Daniel. Tudo para ter condições de se tornar "uma das cinco primeiras equipes paulistas."

A escolha de Navajas veio por conta da sua experiência em liderar, segundo o vice-presidente do clube, Romualdo Magro. "O chamamos pelo seu método rígido de trabalho", explicou.

O ícone das quadras também veio reforçar o conceito de se investir em jovens talentos. Do atual elenco profissional, quatro foram revelados no próprio clube (William, Richard, Pio e Júnior Urso). O sistema de trabalho, iniciado no fim do ano passado, envolve parceria com Poços de Caldas, Cruzeiro e Palestra de São Bernardo. Os garotos atuam por esses clubes para adquirir experiência e ritmo de jogo.

Depois, podem voltar ao ABC, já no elenco principal, ou serem negociados com outros clubes, para gerar recursos. "É assim que os times pequenos sobrevivem", afirma Magro.

Quase lá. As estruturas do vôlei e futebol têm se aproximado, de acordo com Navajas. "Hoje, já não há mais espaço para "boleiros". Se não estiver em forma física, não joga", disse o ex-treinador. Isso se observa no dia a dia, com treinos puxados e focados em repetições, "tal qual o vôlei".

Porém, ainda há muito a se fazer, principalmente em relação à infraestrutura. "Na Superliga, as 14 equipes têm instalações semelhantes. O que diferencia é o patrocínio, que possibilita contratar os melhores atletas", compara Navajas.

É da experiência em quadra que vem a confiança de que o Santo André pode ser campeão paulista, apesar do favoritismo do Santos. "Já ganhei várias vezes do Banespa, quando era o principal time do Brasil, e a gente (Suzano), o sexto, em termos de investimento", recorda-se.

Para tal previsão se concretizar, no entanto, o grupo, ainda sem a estrutura ideal, precisa contar com a determinação dos jogadores ?clima que vem sendo notado pelo ex-técnico. "Os jogadores estão com toda vontade de ganhar o título. Se não tivessem também, era melhor nem terem chegado até aqui", disparou, provando que continua bom de frases polêmicas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.