Homens correm atrás das mulheres no judô nacional

No mundial da Rússia, time masculino tenta igualar ao feminino que subiu 5 no pódio do Rio de Janeiro, no último ano

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2014 | 11h46

Um ano depois da melhor campanha em um Mundial, o judô brasileiro já está na cidade de Chelyabinsk, na região central da Rússia, para a edição que começa amanhã – as eliminatórias serão às 2 horas (de Brasília) e as finais, a partir das 8 horas.

A meta da Confederação Brasileira (CBJ) é de que o Brasil iguale o desempenho que o time feminino teve no Rio, em 2013, com cinco medalhas, e melhore no masculino, que subiu ao pódio apenas com o pesado Rafael Silva, o Baby, medalha de prata. Na disputa por equipes, que será realizada no domingo, último dia de competições, a cobrança é por medalha nos dois naipes – as mulheres foram vice-campeãs no torneio passado.

Dentro do tatame, o País conta com seus principais estrelas – a campeã olímpica Sarah Menezes e a campeã mundial Rafaela Silva. Sarah, que luta já no primeiro dia de competições, quer finalmente alcançar o lugar mais alto no pódio, já que com apenas 24 anos, tem três bronzes. “Estou engasgada”, admite a piauiense, vice-líder do ranking, atrás apenas da mongol Urantsetseg Munkhbat.

Rafaela, que conquistou o inédito título mundial para as mulheres, recuperando-se da desclassificação na Olimpíada por um golpe ilegal, terá de superar uma lesão que a atrapalhou na reta final de preparação. A peso leve machucou a mão esquerda, competiu no Grand Slam de Tyumen, mas ficou fora de um período de treinamentos na Alemanha.

Além de Rafaela e Sarah, o Brasil também terá medalhistas olímpicos, como Felipe Kitadai e Mayra Aguiar, que está voltando a competir após duas cirurgias. Também participa da delegação, composta por 18 judocas, Ketleyn Quadros, primeira brasileira a ganhar uma medalha olímpica (bronze em Pequim-2008).

São caras novas o ligeiro Eric Takabatake, o leve Alex Pombo, a médio Bárbara Timo e o pesado David Moura. Tiago Camilo, aos 32 anos, volta ao time depois perder o torneio do ano passado por causa de uma lesão. Será seu sexto Mundial.

Dois brasileiros chegam ao torneio como líderes do ranking, mas em situações distintas. Rafael Silva, bronze em Londres-2012 e prata no Rio, tem colecionado resultados relevantes, mas enfrenta em sua categoria um dos fenômenos do esporte: Teddy Riner.

O francês, de 25 anos e 2,04 m, ganhou todos os últimos seis mundiais e também é o atual campeão olímpico. Baby fez a final com Riner no ano passado, mas perdeu – foram seis confrontos entre os dois, e seis derrotas. Desde então, Baby afirma ter trabalhado muito em seus pontos fracos em relação ao rival, a pegada no quimono e a diferença de forças. “É claro que ele é o alvo da categoria, mas não posso me esquecer dos outros. Não estou tão distante deles assim como o Riner.”

O outro brasileiro número 1 é o meio-leve Charles Chibana, de apenas 24 anos. Na Rússia, ele disputará seu segundo Mundial, depois de um desempenho importante no Rio – quando, ainda desconhecido, quase foi ao pódio.

A medalha ficou perto de Chibana, que chegou à semifinal com quatro ippons. Mas levou o golpe perfeito na semifinal do campeão Masashi Ebinuma a 20 segundos do fim da luta. Na disputa pelo bronze, perdeu para outro japonês, Masaaki Fukuoka. Uma decisão confusa da arbitragem – que deu ao brasileiro um ippon, mas retirou – acabou prejudicando sua concentração. “Tem coisas que a gente não pode lamentar, porque acabam nos fortalecendo.”

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