Honda convida Rubinho para fazer parte da equipe em 2013

Piloto brasileiro já teve laços com os japoneses por três anos na F-1 e agora vai aguardar para dar uma resposta

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h09

As 19 temporadas de Fórmula 1, de 1993 a 2011, e a de Fórmula Indy, encerrada sábado, não arrefecem o interesse de Rubens Barrichello, aos 40 anos, pelo automobilismo. Depois de terminar o campeonato na Indy em 12.º lugar, pela equipe KV, com 289 pontos diante de 468 do campeão, Ryan Hunter-Reay, da Andretti, Rubinho já planeja 2013.

E apesar de evitar o assunto, a antiga relação com a Honda, para quem competiu na Fórmula 1 de 2006 a 2008, associada ao potencial demonstrado este ano, levou os japoneses a convidarem-no para ser seu piloto oficial também na Indy. Em entrevista ao Estado, ontem, afirmou: "Prefiro esperar para me pronunciar. Há muita coisa acontecendo".

A Honda forneceu motores este ano para alguns dos principais times da competição, como Chip Ganassi, do terceiro colocado Scott Dixon, e a Schimidt/Hamilton, do quinto na classificação, Simon Pagenaud. Confirmada a associação de Rubinho com os japoneses, como parece provável, ele deverá correr em 2013 por uma das escuderias fornecidas pela Honda, o que deve facilitar bastante sua vida para se manter na Indy. Este ano a equipe de Rubinho utilizou motor Chevrolet, o mesmo de Hunter-Reay.

"É bem diferente do que imaginava", comentou sobre a troca da Fórmula 1 pela Indy. "Não pensava que a adaptação se estendesse tanto. As pessoas falam do meu primeiro teste, em Sebring, quando fui muito rápido. Mas eu treinei lá cinco dias. Tive de reaprender a pilotar este ano, por ser distinto de tudo o que fiz até hoje." A pista na qual conseguiu seu melhor resultado, Sonoma, 4.º colocado, foi onde também teve a oportunidade de treinar antes, lembra o piloto.

Competitiva. "Tive dificuldades com os pneus. Usamos os duros nos treinos e só vamos conhecer como o carro se comporta com os moles na classificação", explica. "E a categoria é supercompetitiva. Alguns décimos de segundo te jogam lá para trás no grid e aí tudo fica mais complicado. O nível dos pilotos é muito bom."

Outro desafio foi correr nos circuitos ovais, novidade absoluta para o piloto: "Tive a primeira experiência em Indianápolis. Nos primeiros dias, sozinho, consegui atingir já um bom nível. Estava me acostumando com os 400 km/h e o muro do seu lado o tempo todo", conta. "Mas aí tive de aprender a pilotar com outros carros na pista e muda tudo. O mais complexo é saber usar o vácuo corretamente." Terminou em 11.º dentre os 33 que largaram.

Diversão. Apesar dos resultados terem ficado um pouco abaixo do esperado, Rubinho diz ter se divertido. "Receberam-me muito bem. E correr ao lado do Tony (Kanaan), meu amigo, e com o ambiente alegre da KV foi sensacional." O nível técnico do time, porém nem sempre acompanhou o dos melhores. "Foi tudo montado de última hora, os mecânicos, o engenheiro, o estrategista."

A Fórmula 1 ainda é uma paixão, confessa. "Você não namora alguém por 19 anos e a esquece no dia seguinte. Foi doído acordar meu filho Eduardo para assistir à corrida de Melbourne (abertura da temporada) pela TV." E outro momento que certamente o sensibilizará será quando for a Interlagos nos dias do GP do Brasil, de 23 a 25 de novembro. "Tenho muitos amigos na Fórmula 1, vou visitá-los. Agora, não estar no grid será duro."

Rubinho não dá detalhes, mas confirma ter sido cogitado para disputar o GP da Itália, pela Lotus, no lugar de Romain Grosjean. Ele venceu a prova três vezes, em 2002 e 2004, pela Ferrari, e, em 2009, pela Brawn GP. "No fim houve pressão para utilizarem o terceiro piloto (Jerome D'Ambrosio)", diz. "O campeão este ano? Penso que o Alonso. O Hamilton é o cara com mais velocidade natural na F-1, mas o Alonso é o mais completo."

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