Hora da Macaca beber água

Boleiros

Antero Greco, antero.greco@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 00h00

Quase todo mundo aponta o Palmeiras como favorito nos duelos dos dois próximos domingos com a Ponte Preta. Não vejo nisso nenhum exagero nem distorção, porque o glorioso Palestra tem elenco de melhor qualidade e maior variedade, além de contar com história de títulos incomparavelmente mais rica do que a rival campineira. Admito, até, que se trata de constatação óbvia, de senso comum.Mas a pulga está aqui, atrás da minha orelha direita, a fazer-me cócegas e a me deixar a pensar que o desfecho da história pode não ser assim. A centenária Macaca não entra como figurante na decisão nem chegou perto da taça por obra e graça do Divino Espírito Santo. Muito menos vai desempenhar o papel de peru, que morre na véspera, como indelicadamente observou Juvenal Juvêncio, na euforia da reeleição no cargo de presidente do São Paulo e ainda com o cotovelo a doer-lhe pela eliminação de sua equipe.A Ponte mereceu lugar na final e os números são semelhantes aos do Palmeiras. Na soma das duas fases, a turma do técnico Sérgio Guedes obteve 12 vitórias, 5 empates e 4 derrotas. O ataque marcou 39 gols e a defesa levou 24. Os alviverdes de Vanderlei Luxemburgo colecionaram 13 vitórias, 4 empates e 4 derrotas, com 39 gols a favor e 17 contra. No papel, há equilíbrio, dentro de campo também pode ocorrer o mesmo, por que não?O problema da Ponte é chegar desfalcada para a primeira parte da decisão. Elias, César, Renato são baixas de peso num grupo homogêneo e de reposição menos vistosa. Sérgio diz que pensa nisso desde o momento em que tomava banho no vestiário do estádio de Guaratinguetá, no fim de semana, minutos depois de seu time se garantir na festa de encerramento.Angústias que não afligem Luxemburgo, mais uma vez à vontade e com opções de boa qualidade, como tem sido corriqueiro em sua carreira. Sei, sei, não é o Palmeiras de 93, 94 ou 96, mas está acima da média atual no panorama nacional. E ainda tem Valdivia, que desestabiliza adversários com dribles e sorrisos maliciosos.Ainda assim, não vejo a Ponte como azarão, porque tem futebol de qualidade e bela dose de empolgação. Só o fato de estar em evidência, e por motivo positivo, pesa a seu favor. Sobretudo para um clube que até recentemente estava com a corda no pescoço e despencando de divisão. Sem contar que a pressão por título está do lado do Parque Antártica, que se angustia com jejum local desde 1996. A responsabilidade é do Palmeiras, que investiu pesado e quer retorno imediato.O palmeirense pode pensar que estou com olhar benevolente para a Ponte. Se pensou, acertou. E digo isso sem preferência clubística. É simpatia gratuita por uma agremiação que jamais teve o gostinho de faturar o título paulista, sonho que esteve perto de tornar-se realidade em 70, 77, 79 e em 81. E que fez por merecer neste ano - é verdade, tanto quanto o Palmeiras.GÁS DA DISCÓRDIAOs companheiros que me precederam nos comentários da semana, neste espaço boleiro, já falaram sobre o gás pimenta que infestou o vestiário do São Paulo. Concordo que foi episódio dos mais imbecis, mas nem de longe aceito a insinuação de que a diretoria do Palmeiras tenha incentivado essa sandice. Nem em armação do São Paulo.Os palestrinos vacilaram, em minha opinião, ao não agir com ligeireza e galhardia na hora em que viram os são-paulinos voltando dos vestiários. Os anfitriões poderiam ter oferecido até seu próprio vestiário para diminuir o desconforto. Estariam honrando a tradição hospitaleira de um clube de imigrantes e dariam tapa com luva de pelica em um visitante que costuma considerar-se de casta superior aos demais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.