Hora de decisão

Amigos, é meio que chover no molhado dizer que nesta semana, e na próxima, não existe fato esportivo no Brasil capaz de rivalizar com a decisão entre Corinthians e Boca Juniors pela Libertadores da América.

Luiz Zanin, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h09

É um jogo repleto de fatos singulares e de simbologias. São dois dos clubes mais populares em seus países (o Boca é o mais popular da Argentina; o Corinthians, até prova em contrário, só perde para o Flamengo). Ambos têm torcidas apaixonadas, capazes de transformar estádios em caldeirões. Os dois têm times experientes, com alguns jogadores tinhosos, capazes de decidir um jogo difícil. Serão, se a sorte ajudar, dois jogos inesquecíveis.

E por que a sorte deve ajudar? Porque sem um pouco de sorte, rezava o grande dramaturgo do futebol, Nelson Rodrigues, você não consegue nem atravessar a rua para chupar um picolé na calçada oposta. Assim, nós que não temos de ver nem com um time e nem com outro devemos torcer por uma disputa renhida, dura como uma guerra, mas dentro das regras do jogo. Um excesso de tensão pode estragar tudo. Um resultado muito adverso no primeiro jogo pode botar água na fervura do segundo.

Mas o que se espera é diferente. Só Deus saberia dizer o que vai acontecer nos dois jogos e Ele deve ter mais o que fazer que se preocupar com a Libertadores. Assim, precisamos contar com nossas próprias forças, que são poucas. E dizer que, se tudo der certo, o Corinthians tem boa probabilidade de aguentar a pressão dentro da Bombonera. Já é lugar-comum dizer que o Timão é um time de sólido sistema defensivo, que marca por pressão lá na frente e conta com uma dupla de volantes de concreto armado, Ralf e Paulinho. É time que sabe se defender e ataca de vez em quando. Nunca esteve tão preparado para disputar uma final de Libertadores.

E é bom que esteja mesmo pronto porque vai pegar pela frente um autêntico bicho-papão, dono de seis títulos do torneio de nome mais lindo do mundo. Em número de conquistas, o Boca só perde para o Independiente, com sete. Deve ter muita fome para igualar-se ao rival. Além disso, se não tem um timaço como antigamente, o Boca é ainda muito forte. Em especial porque é liderado por esse veterano de nome Riquelme, homem com visão de campo impressionante, capaz de decidir o jogo em um lance, e dono de uma catimba magistral. Repare nos movimentos de Riquelme em campo. Sempre olhando o adversário de cima para baixo, com o sorrisinho maroto nos lábios, uma ironia fina que deve levar os adversários à loucura.

Enfim, tanto Corinthians como Boca estão mais que prontos para essas duas batalhas finais. Não me atrevo a dizer que existe um favorito. Adoraria dizer também que é um confronto entre a escola brasileira e a argentina. Mas isso não me atrevo a afirmar. O Corinthians é um time brasileiríssimo, mas o seu jeito de jogar é bem, digamos assim, internacional. Tite montou um time para ganhar títulos não para defender um estilo.

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