Hora de desencantar

Ataque santista, base da seleção, anda em baixa, mas hoje é esperança no primeiro jogo da final contra o Vitória

Fábio Hecico, Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

SANTOS

Quatro jogos, 24 gols, média de seis por partida. O ataque do Santos é arrasador atuando na Vila Belmiro na Copa do Brasil. Hoje, o setor terá de desencantar pós-Copa do Mundo e comprovar seu poder de definição, às 21h50, diante do Vitória, no jogo de ida da decisão da competição. Ganhar, de preferência com boa vantagem, é primordial para a equipe jogar tranquila em Salvador na semana que vem. Em seus domínios, os baianos têm campanha semelhante à dos Meninos da Vila, apenas com vitórias e por boa margem de gols.

"Temos de partir para cima, tentar fazer muitos gols, pois será muito difícil o jogo de Salvador", afirmou o meia Paulo Henrique Ganso, que deve ter, à sua frente, os outros companheiros convocados por Mano Menezes para defender a seleção brasileira nos Estados Unidos, dia 10: André, Neymar e Robinho.

Momento ruim. Nos pés do "quarteto santástico" está a esperança da torcida em busca de uma das poucas taças que o Santos ainda não tem na sua galeria de títulos. Os Meninos da Vila, contudo, têm de reencontrar o caminho dos gols. Depois de um primeiro semestre perfeito, a garotada ficou visada pelos marcadores e caiu de rendimento.

Robinho e Ganso, por exemplo, não marcam há nove jogos. O jejum de Neymar dura 7 partidas e o de André, 4. "Mas se repetirmos o bom desempenho dos confrontos contra Fluminense (derrota por 1 a 0) e São Paulo (triunfo, no domingo, por 1 a 0), tenho certeza que os garotos voltarão a marcar", esbanjou confiança o técnico Dorival Júnior.

E motivação não falta aos meninos. Na verdade, até aumentou após a convocação. "A gente ganhou o clássico e vamos com confiança para a final. O Vitória também vem embalado, mas esperamos fazer um grande resultado aqui, já que vai ser bem difícil lá", observou André, ainda na expectativa de saber se começa o jogo. "Espero que sim, mas o professor (Dorival) ainda não definiu. "Só sei que ganhamos um incentivo extra com a convocação e que quero sair daqui campeão", seguiu, já em tom de despedida. Após os jogos finais, ele se apresenta ao Dínamo de Kiev.

"Vamos partir para cima do Vitória sem dó", enfatizou Neymar, artilheiro da Copa do Brasil com 10 gols e o coreógrafo do grupo, prevendo a volta das dancinhas irreverentes que marcaram as comemorações dos gols santistas - já são 129 no ano.

Robinho endossa as palavras do companheiro. "Sabemos das dificuldades do confronto, mas temos de fazer valer o mando de casa", disse, aprovando a convocação dos amigos e apostando em bom desempenho com a camisa amarela. "É só chegar na seleção e fazer o mesmo daqui. E jogar bem eles sabem."

Palavra de craque. Divertidos, polêmicos, provocativos, craques. São muitos os adjetivos para os garotos. E um deles se encaixa perfeitamente na resposta encontrada por eles para definir a possível queda de rendimento. "É que estávamos bastante concentrados para a decisão da Copa do Brasil", saiu-se bem o meia Paulo Henrique.

"A gente não vinha jogando tão mal, era apenas azar", encontrou outra saída André, usando grandes defesas de goleiros rivais e muitos gols perdidos para provar que o Santos segue criando bastante. "Sempre estivemos entre os primeiros, apenas os resultados foram ruins. Vocês vão ver, na quarta-feira (hoje) o Santos entrará bem diferente", prometeu Neymar. A torcida, mais do que nunca, espera que ele esteja certo.

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