Hora de partir

Um dos assuntos do momento, no futebol, é a crise envolvendo Santos e Paulo Henrique Ganso. A novela se arrasta desde 2011 e deveria ter chegado ao fim no início deste ano. O clube, claro, espera uma proposta que considere justa para negociá-lo, mas, quanto mais o caso se arrastar, pior para as duas partes. O meia, eficiente, porém longe de ser craque, está perdendo valor de mercado. E o time sofre com seu desempenho fraco na maioria dos jogos.

EDUARDO MALUF, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h04

O tema central desta coluna, contudo, é outro santista, que vive momento oposto: Neymar. Acho fantástico vê-lo jogar por aqui, fazer gols em boa parte das rodadas, driblar, chutar, cobrar faltas e aumentar o nível do Brasileirão. Mas, se quisermos ganhar um jogador mais maduro e pronto para ser o astro de nossa equipe em 2014, precisamos aceitar sua transferência para um mundo mais evoluído taticamente.

Infelizmente, os craques são raridade hoje. Neymar é, de longe, o principal nome do Brasil, uma joia de 20 anos. A Olimpíada mostrou, no entanto, que lhe falta crescer em alguns aspectos fundamentais para quem é o maior candidato a líder de um time no Mundial.

Fazer exibição de gala contra o Guarani numa final de Paulistão não lhe acrescenta nada - além do título estadual. Nem dar show contra Figueirense e Palmeiras. Ele deve enfrentar com mais regularidade esquemas de jogo diferentes dos nossos, marcação mais forte, equipes que dão prioridade à defesa, como fez o México na final olímpica.

Neymar não tem apresentado na seleção o futebol que o elevou a celebridade internacional. Muitos podem dizer que Messi também não repete, com a camisa argentina, as atuações do Barcelona. Convenhamos: a atual equipe da Argentina é, no máximo, medíocre, inferior à nossa, apesar de todas as limitações que temos.

As boas jogadas contra Honduras, Coreia, Egito não devem ser ignoradas, mas precisam ser encaradas com o valor que elas de fato têm - pouco significativo. Os adversários do Brasil em Londres eram bagrinhos sem nenhuma tradição. Na decisão, com o México, único oponente um pouco mais tarimbado, o atacante nada produziu. Há um ano, foi mal na Copa América. Nos amistosos, alterna bons e maus momentos.

Os debates em torno de sua saída ou não do Brasil já duram bom tempo. Muitos estão seguros de que uma mudança não lhe faria diferença. Depois desta Olimpíada, passei a concordar com Mano Menezes: o melhor para o jogador é mesmo bater bola no Velho Continente. Lá, claro, também existem times ruins. O nível caiu com a crise econômica. Mesmo assim, os melhores jogadores e equipes ainda estão na Europa.

Será fundamental para seu crescimento disputar uma Copa dos Campeões ou uma Liga Inglesa, jogar contra Barça ou Real. O Santos está no seu papel ao tentar segurá-lo. Se eu fosse Luis Álvaro, não o negociaria. Mas, se fosse o presidente da CBF, torceria para que se transferisse logo e voltasse no auge da forma para reabilitar a seleção em 2014.

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