Hora do choro

Todo ano tem carnaval, Tiradentes, Semana Santa, Páscoa, Natal... A folhinha não falha, ainda bem. Todo ano, sobretudo nesta época, tem chororô de times de futebol. Tão certa como a sequência repetitiva do calendário é a temporada de reclamações contra arbitragens. Pode reparar: à medida que se aproxima o fim do Campeonato Brasileiro, sobe o tom das broncas contra os erros (reais e imaginários) cometidos pelos juízes e assistentes. Todo mundo tem sua lista de lances em que se sentiu lesado.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2010 | 00h00

Agora não é diferente. Só de puxar pela memória - e a minha não é das mais generosas - lembro que o Corinthians lamentou muito os dois gols de Ronaldo mal anulados no empate contra o Guarani, quinze dias atrás, em Campinas. O Grêmio esperneou no meio da semana porque Heber Roberto Lopes não deu pênalti de Leandro Eusébio sobre Douglas, na derrota por 2 a 0 para o Fluminense. Recentemente, Cuca viu erros dos mediadores no clássico em que o Cruzeiro perdeu para o Grêmio por 2 a 1. E por aí vai. Escolha o time e selecione as falhas.

O choro faz parte do futebol - muitas vezes o prejudicado chia com razão. Da mesma forma, as escorregadas dos árbitros estão no DNA do esporte. Sempre ocorreram, e creio que existirão pela eternidade, mesmo com recursos tecnológicos sofisticados. Muito pode ser melhorado, mas não se atingirá a perfeição.

Não estou aqui a defender o imobilismo nem para puxar a sardinha para a brasa de ninguém. Sou a favor dos árbitros auxiliares na linha de fundo, que podem ajudar em lances delicados, como pênaltis e gols duvidosos. Sou a favor do chip na bola, que diminuiria a margem de erros nesses lances famosos de "entrou, não entrou". Ontem no Beira-Rio, por exemplo, o chip resolveria a questão no lance em que Edu Dracena tocou de cabeça e Nei tirou de dentro do gol, mas árbitro e auxiliar mandaram o jogo seguir. E o Santos não estaria chorando - lágrimas justas nesse caso.

Quem sabe, em estádios mais modernos, câmeras bem colocadas poderiam determinar se houve ou não impedimento. A lista de sugestões é tão extensa quanto a da choradeira.

Enquanto isso não vem, o que se pede é mais preparo - técnico, físico e emocional - dos árbitros, tranquilidade para que possam trabalhar, boa remuneração e análises periódicas de seu desempenho. Nem isso tudo, aliado a transparência e ao pressuposto da honestidade, acabaria com os erros. Mas os tornaria menos vilões, ou inibiria os clubes de apontá-los como responsáveis por suas frustrações. Que na maioria das vezes vem de erros internos.

Abraçados. Internacional e Santos já estão garantidos na Libertadores. Tinham outra coisa em comum: o sonho do título brasileiro. Depois do 1 a 1 de ontem, parece melhor negócio começarem a se preocupar mais profundamente para seus próximos desafios - para os gaúchos, o Mundial de Clubes em dezembro; para os paulistas, a competição continental do primeiro semestre do ano que vem.

No atual Brasileiro, tudo indica que morreram abraçados. Estão a oito pontos dos líderes, distância complicada de pulverizar a apenas seis rodadas para o fim do campeonato. Não será de estranhar se jogadores e técnicos de ambos continuarem dizendo que ainda dá. Faz parte.

Reações fulminantes como a do Flamengo no ano passado não ocorrem toda hora. E tudo indica que a taça será mesmo levantada por um dos três times que encabeçam a classificação. O Fluminense, apesar do sufoco, prevaleceu em casa sobre o Grêmio. O Cruzeiro impôs seu favoritismo diante do lanterna Prudente. O Corinthians também se saiu bem, pois empatar com o Flamengo no Rio é sempre algo positivo. Ou seja, nesta última rodada os três deram mostras de que deverão voltar a fazer de maneira mais efetiva a parte que lhes cabe, mesmo sujeitos a um ou outro dissabor.

Homenagem. E aí, Felipão? Gostou da homenagem?

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