Hora do desespero

A briga pelo título está bonita, animada e aberta. Os olhos da maioria voltam-se para o trio que luta pela hegemonia nacional - ontem à noite o Corinthians venceu a "decisão"" com o Cruzeiro, com um pênalti polêmico e a revolta d0s mineiros. Chiadeira em jogos de retas finais de campeonato sempre existem, principalmente quando lances controversos ocorrem em confrontos em que a vitória vale mais que our0 para o time que a conquista e a derrota assume ares de quase catástrofe para a equipe que a sofre, como foi o caso do clássico no Pacaembu.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Nem tudo está perdido, porém. Assim como nada está ganho, para usar colocações comuns no mundo do futebol. Para o Corinthians, a vitória representa um passo e tanto para quem busca o título e derruba um concorrente direto na reta final da estrada. No entanto, o asfalto ainda é irregular. O próximo adversário dos paulista é exemplo disso. Vitória não costuma ser presa fácil no Barradão. Ameaçado pelo rebaixamento então... Sem contar que o Fluminense, hoje, pode retomar a liderança. Antes de a bola rolar, pode-se dizer que tem obrigação de bater o Goiás.

O Cruzeiro deu mostras de desespero com o tropeço atribuído ao juiz. A derrota complica bastante a situação, mas, num campeonato esquisito como esse, continua valendo, e muito, lutar a até o fim.

A batalha pelo topo desperta grande atenção. Ao mesmo tempo, há outra em andamento, tão árdua quanto a da linha de frente, porém com objetivo menos glorioso. Nas rodadas que restam até o dia 5, um bloco faz tudo que lhe for possível para manter-se na elite. A fuga do rebaixamento está em labaredas.

Não há situação mais constrangedora e angustiante do que aquela dos times ameaçados de serem jogados no limbo. É lei do esporte, claro, alguém tem de cair e isso também faz a beleza das competições. Bonito para os times dos outros, menos para o meu, dirá com razão o torcedor insensato. Ninguém é tonto de querer destino tão alarmante. Quando o clube tem recursos, passa uma temporada, no máximo duas, no sufoco, e em seguida retorna. Às vezes até com fôlego renovado.

Cair já fez parte da vida de Corinthians, Palmeiras, Vasco, Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro, Guarani, Coritiba, Fluminense só para ficar numa lista de campeões brasileiros. Os que souberam aproveitar a lição pouco tempo depois estavam na disputa por troféus mais condizentes com seu currículo. De qualquer modo, a cicatriz não desaparece.

Triste mesmo é quando a degola atinge clubes com menos poder de fogo, temporário ou permanente. A queda pode ser a primeira de uma série - estão aí casos marcantes como os de Juventude, Santa Cruz, Remo, Criciúma, que desceram a ladeira e não encontraram mais o rumo. São almas penadas a atormentar seus fãs. Há os que se consolam com o fato de continuarem a todo momento na boca de espera da promoção - Bahia, Portuguesa e Ponte Preta são exemplos famosos.

O pavor de sair dos trilhos aflige neste momento oito times - seis, se considerarmos que o lanterna Grêmio Prudente, com seus 27 pontos, está virtualmente rebaixado e que o Flamengo convive com risco matemático.

Vitória, Atlético-GO, Atlético-MG, Guarani, Avaí e Goiás sabem que estão na mira para preencher as outras três vagas para a Segundona de 2011. Estão perto do fundo do poço e tentam agarrar-se à cordinha que puxa o baldo da salvação. Ela é tênue e escorregadia.

Salvo milagres - e eles ainda acontecem, eu acredito -, o Goiás pode estudar os adversários do torneio de acesso. O Avaí é outro que terá de apelar para reza brava. O quarteto pode ter outro alviverde, o Guarani.

Não queria estar na pele de nenhum desses times, nem de seus cada vez mais aflitos torcedores, nem imagino dias tranquilos para Vitória, Atlético-MG e Atlético-GO. Só posso desejar a todos que o futuro lhes seja generoso.

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