Hortência revela: 'Ênio foi demitido por causa do Pan'

Dirigente conta em voz alta para amigos, na sede do COB, o motivo da saída do técnico Ênio Vecchi da seleção feminina

SÍLVIO BARSETTI / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h06

"Demiti o Ênio por causa do Pan sim. É inadmissível usar o Pan-Americano para fazer testes." As declarações da diretora da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Hortência Marcari, põem fim às especulações sobre o porquê da demissão, na quinta-feira, do então técnico da seleção brasileira feminina de basquete, Ênio Vecchi.

No dia em que a saída de Ênio foi anunciada, Hortência negou que o fiasco da seleção no Pan de Guadalajara, em outubro, tivesse relação com sua decisão. "Não teve nada a ver com o Pan", disse a dirigente, ainda na quinta-feira. "Houve apenas um realinhamento."

Ontem, porém, Hortência deu outra versão para a demissão, pouco antes de um evento realizado na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no Rio.

Hortência conversava em voz alta com alguns amigos, entre os quais o ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman e o mesa-tenista Hugo Hoyama, e não notou a presença de repórteres, convidados pelo COB para o lançamento de um programa de assistência a atletas. "Aquilo me irritou profundamente. Quer fazer testes, que os faça lá no Vitória-Basquete/Crece (time dirigido por Ênio na NBB de 2010/11)."

A contrariedade da diretora estava mais focada na partida em que o Brasil perdeu para a fraca equipe de Porto Rico, na semifinal do Pan. Com a derrota, restou à seleção disputar e ganhar somente a medalha de bronze no torneio.

Hortência criticou com veemência a opção do técnico de deixar fora do time a ala Iziane durante boa parte do confronto com Porto Rico. Ela era a jogadora com melhor aproveitamento ofensivo. O time de Ênio Vecchi obtivera antes a classificação para os Jogos de Londres ao vencer o Pré-Olímpico, na Colômbia.

Transição. O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, lançou ontem, no Rio, o Programa de Apoio ao Atleta, iniciativa que tem por objetivo dar suporte aos atletas para que assumam nova atividade profissional ao encerrar a carreira. O primeiro grupo beneficiado inclui, entre outros, Maurren Maggi e Hugo Hoyama, que ainda competem em alto nível. "Se o ex-atleta quiser continuar no esporte, ele precisa se atualizar, se aperfeiçoar e é isso que o COB pretende oferecer", disse Nuzman.

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