Washington Alves/Inovafoto
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Hugo Hoyama, um técnico de broncas e elogios no tênis de mesa

No comando da seleção feminina, atleta de seis Olimpíadas dá prioridade para o lado psicológico

Nathalia Garcia, enviada especial, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2014 | 05h33

SANTIAGO - Em 1976, o ano em que Hugo Hoyama começou a praticar o tênis de mesa, o Brasil vivia uma ditadura militar e João do Pulo ganhava o bronze no salto triplo na Olimpíada de Montreal. Com tanta experiência, chegou a hora de transmiti-la para os mais jovens. Assim, assumiu o posto de técnico da seleção feminina da modalidade em janeiro do ano passado.

Sem esquecer a parte técnica, o mesa-tenista dá prioridade para desenvolver o lado psicológico das comandadas. Para ele, um time feminino demanda um equilíbrio entre broncas e elogios. E conta que já foi mais explosivo, mas que tem se adaptado para melhorar o relacionamento com Caroline Kumahara, Jéssica Yamada e Gui Lin.

Aos poucos passou a entender as particularidades das atletas e tenta adaptar os ensinamentos ao estilo de jogo de cada uma. Ele confessa que ficava irritado com algumas falhas no início. "Estamos melhorando e podemos conseguir os resultados que a gente quer."

O trabalho com as meninas já começa a dar frutos. Nos Jogos Sul-Americanos, no Chile, elas faturaram a medalha de ouro por equipes sem perder um set. Hugo destaca que esse é o primeiro passo para o País ter possibilidade de sonhar com conquistas maiores. "Meu objetivo é ajudar as meninas a ganharem confiança para a gente lutar pela medalha nos Jogos Pan-Americanos de Toronto."

Ele está satisfeito com o crescimento individual das atletas e também entusiasmado com o futuro do tênis de mesa feminino. Em sua avaliação, Caroline tem um lado mental forte e a chinesa naturalizada, Gui Lin, está ganhando ritmo de jogo. Para os próximos anos, aposta na base forte e no potencial de Bruna Takahashi (13 anos) e de Letícia Nakada (15).

Representante do Brasil em seis edições dos Jogos Olímpicos, Hoyama reconhece que ainda falta muito para as suas atletas terem chance de pódio no Rio, em 2016. "Podemos chegar com o pensamento positivo de tentar obter o melhor resultado possível. No feminino, é difícil porque tem muito mais chinesas", admite. Mas não descarta a possibilidade no futuro. "O Brasil está formando muitas atletas no feminino, vai ter uma equipe boa em 2020 ou 2024."

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