Hypólito: "essa medalha é tudo"

A ginasta Daniele Hypólito, de 17 anos, alcançou neste domingo, no Mundial de Ghent, na Bélgica, um feito inédito na história do esporte brasileiro: conquistou a primeira medalha em mundiais de ginástica para o País. E foi a de prata, com 9,487 pontos na final individual de exercícios de solo, sua especialidade, ficando à frente da russa Svetlana Khorkina, terceira colocada (9,375). A campeã foi a romena Andreea Raducan (9,550) e Daiane dos Santos, outra brasileira na decisão, ficou em quinto lugar (9,325). "Não esperava entrar na final. Ganhar medalha, então, passava longe...", disse Daniele, por telefone. "Essa medalha é tudo para mim." A brasileira também não acreditava que tinha superado Khorkina. A russa conquistou ao todo três medalhas de ouro (geral individual, barras assimétricas e salto sobre o cavalo), uma de prata (geral por equipe), além do bronze no solo. "Nem olhei a cara dela. Acho que ficou triste, coitada, também treina tanto... Mas voltará para casa com um monte de outras medalhas." Assim como Khorkina, Raducan ganhou três medalhas de ouro (trave, solo e geral por equipe), além das duas de bronze (salto e geral individual). A Romênia foi a grande campeã do Mundial. Daniele já havia feito história sexta-feira, ao terminar em quarto lugar na final geral individual, que engloba as quatro provas por aparelhos. Ficou a 0,044 ponto do bronze. A brasileira, uma das mais baixas da competição - tem 1,36 metro -, foi superada apenas por Khorkina, de 22 anos, a russa Natalia Ziganshiva, de 15 anos, e por Raducan, de 18 anos. Para se ter uma idéia do feito, na Olimpíada de Sydney (em 2000) Daniele havia terminado a prova geral individual na 21ª colocação. Esse resultado é o melhor de uma brasileira em Jogos Olímpicos. Em Mundiais, a melhor posição era da própria Daniele: 23º lugar nos exercícios combinados, há dois anos, na China. Por equipes, o Brasil atingiu outra marca histórica: foi 11º colocado. Até então, havia conseguido um 18º lugar, também na China. O ótimo desempenho coincide com a contratação do técnico ucraniano Oleg Ostapenko, considerado um dos melhores do mundo - foi treinador de campeãs olímpicas como Tatiana Gutsu, Tatiana Lyssenko e Lilia Podkopayeva. As atletas, no entanto, creditam aos treinadores brasileiros o sucesso na Bélgica. "É o resultado de muito treino e de muito tempo", revelou Daniele, que também foi medalha de bronze por equipe no Pan-Americano de Winnipeg (1999), além dos quatro títulos brasileiros. Bênção - Assim que soube da façanha de sua filha Daniele, Geni foi à Igreja agradecer pela "bênção de Deus". Ela conta que foi uma amiga que a avisou, depois de ter visto o resultado pela Internet. "Quando penso que ela é a segunda melhor no solo, com tanta russa e romena... Não assimilei ainda. Estou pasma", declarou a orgulhosa mamãe, que não esquece o acidente de ônibus de 1997, quando a delegação do Flamengo, incluindo Daniele, viajava para o Paraná. Sete pessoas morreram e a técnica Georgette Vidor ficou paraplégica. "Só tenho de agradecer a Deus. Estou mais do que orgulhosa da filha que tenho." Geni brinca que agora o desafio de Daniele é passar de ano. "Precisa melhorar em inglês e matemática." A ginasta está no segundo colegial.

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