Athit Perawongmetha/Reuters
Athit Perawongmetha/Reuters

IAAF aumenta rigor no controle da testosterona e Semenya ironiza decisão

Mulheres que terão hormônio em excesso terão seis meses para reduzir níveis; sul-africana pode ser prejudicada

Estadão Conteúdo

26 de abril de 2018 | 15h14

A IAAF (Federação Internacional de Atletismo, na sigla em inglês) informou nesta quinta-feira que a partir de primeiro de novembro aumentará o rigor para medir o nível de testosterona em provas da modalidade que vão dos 400m aos 1.500m.

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As mulheres que possuem esse tipo de hormônio em excesso terão o prazo de praticamente seis meses para tentar reduzir o nível mediante ao uso de contraceptivos. Caso contrário, estarão proibidas de competir.

"Temos a responsabilidade de garantir uma decisão justa para os atletas. O êxito nas competições deve ser determinado pelo talento, dedicação e trabalho forte em vez de outros fatores", declarou o presidente da IAAF, Sebastian Coe. "Nossas análises e informações indicam que a testosterona inserida artificialmente nos atletas dá uma vantagem significativa entre as mulheres", emendou.

Quem deve sair prejudicada com essa medida é a sul-africana Caster Semenya, bicampeã olímpica nos 800 metros. Em sua conta no Twitter, ela ironizou a decisão da entidade. "Que lindo é ficar calada quando alguém espera que te enfureças", publicou.

Semenya, de 27 anos, tem hiperandrogenismo, que é o alto nível de testosterona no corpo. Por conta disso, ela trava uma briga com a IAAF desde 2011, quando pela primeira vez a entidade tentou obrigar atletas com esse tipo de disfunção a utilizar métodos artificiais para reduzir seus níveis de testosterona.

Semenya e a indiana Dutee Chand conseguiram na Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) impedir que essa norma fosse aplicada e tiveram a liberação para competir nos Jogos do Rio-2016. Com isso, a sul-africana se sagrou bicampeã olímpica nos 800 metros.

O novo regulamento da IAAF também pode ser alvo de novo recurso no CAS. No entanto, a IAAF insistiu nesta quinta-feira que existe um "amplo consenso médico e científico, respaldado com opiniões e provas" que validam sua posição.

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