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IAAF se preocupa com seguidos casos de doping na Rússia

Nesta terça, a Agência Antidoping do país suspendeu cinco atletas de alto rendimento, sendo três deles campeões olímpicos

Estadão Conteúdo

21 de janeiro de 2015 | 10h24

A Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) reforçou, nesta quarta-feira, a sua preocupação com os seguidos casos de doping detectados em atletas russos de alto rendimento. Na terça, a Agência Antidoping da Rússia anunciou punições a cinco marchadores, sendo três campeões olímpicos.

"O número de casos de doping na Rússia em geral, e na marcha atlética especificamente, é uma grande preocupação para a IAAF e nós estamos investigando profundamente os casos recentes no atletismo russo, com o apoio da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês)", disse a IAAF, nesta quarta-feira, em comunicado.

A entidade informou que os cinco casos anunciados na véspera foram detectados pelo passaporte biológico, que rastreia valores sanguíneos anômalos durante longos períodos de tempo. A IAAF lembrou que são agora 23 atletas russos de elite pegos por doping desde que o passaporte foi implementado, em 2009. Assim, a Rússia corresponde por praticamente dois terços de todos os 37 casos identificados.

Ainda de acordo com a entidade máxima do atletismo, os títulos mundiais dos cinco marchadores serão redistribuídos. A IAAF, entretanto, faz questão de deixar claro, com letras garrafais no comunicado, que isso só acontecerá depois que ela receber e analisar cuidadosamente se as punições impostas pela Federação Russa de Atletismo (ARAF) estarão de acordo com as regras internacionais.

Os cinco atletas estão todos suspensos desde o final de 2012, mas sem que nenhum anúncio público tenha sido realizado. O diretor-geral da Agência Antidoping da Rússia, Ramil Khabriev alegou que o atraso foi porque a IAAF passou os casos para a Federação Russa de Atletismo para julgamento, mas que a entidade nacional não tinha recursos para lidar com "a especificidade dos casos de passaporte biológico".

Penas de três anos e dois meses foram aplicadas aos campeões olímpicos Sergei Kirdyapkin e Olga Kaniskina, assim como a Sergei Bakulin, campeão mundial de 2011. Os três casos são retroativos ao final de 2012. A decisão significa que Kirdyapkin estará elegível para defender o seu título olímpico da marcha masculina de 50 quilômetros na Olimpíada de 2016, no Rio.

Valery Borchin, uma medalhista de ouro olímpica em 2008, foi suspenso por oito anos a partir de outubro de 2012, por um segundo caso de doping, enquanto Vladimir Kanaykin foi banido para sempre por reincidência.

As punições não afetam as medalhas olímpicas, embora cinco ouros em Mundiais de Atletismo e uma prata nas edições de 2009 e de 2011 possam ser redistribuídas. Os resultados do Mundial afetados são os triunfos nos 20km de Kaniskina em 2009 e 2011, os ouros de Borchin nos 20 km em 2009 e 2011, e a vitória de Kirdyapkin nos 50km em 2009. Além disso, Kanaykin poderia perder sua medalha de prata nos 20km do Mundial de 2011.

Ramil Khabriev disse em um comunicado, na terça-feira, que os períodos de anulação dos resultados foram escolhidos por razões puramente científicas. "Depois de analisar os perfis sanguíneos dos atletas, tendo em conta a opinião dos principais especialistas em hematologia convidados, foi tomada uma decisão sobre a anulação dos resultados para os períodos em que foram detectados resultados anormais", explicou.

A ARAF e a agência nacional antidoping foram acusadas de má conduta em um documentário veiculado no mês passado pelo canal de televisão alemão ARD. A federação operaria um programa de doping sistemático, enquanto funcionários da agência foram acusados de encobrir testes positivos.

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