Iatismo: Lars Grael volta e é campeão

O fato de ser o novo campeão sul-americano da classe Star não ilude Lars Grael. O velejador, que não tem a perna direita e conquistou no domingo em Buenos Aires, na Argentina, seu primeiro título internacional na categoria, nega ter planos para os Jogos Olímpicos de Pequim/2008."Seria muita pretensão da minha parte disputar uma Olimpíada. Não é impossível, mas para mim é irrealizável. Para que isso aconteça, demandaria envolvimento de tempo e treinamento para ter condições de igualdade. Não dá para pensar nisso com a agenda atribulada que tenho", disse Lars nesta segunda-feira à Agência Estado, na correria, enquanto aguardava a posse do novo secretário de Esportes de Guarulhos, Júlio Filgueira (PC do B).O velejador tem uma carreira política para tocar. Ele é o secretário da Juventude, Esporte e Lazer do governo Geraldo Alckmin e cumprirá o mandato até o fim de 2006. Em razão disso, sobra pouco tempo para se dedicar à vela. Mesmo sem treino, ele e o proeiro Marco Lagoa deixaram para trás o bicampeão olímpico e heptacampeão mundial da classe Laser, Robert Scheidt. Novato na Star, Scheidt estreava ao lado de Bruno Prada numa competição no exterior.Para Scheidt, Lars teve o mérito de manter a regularidade, sua principal característica. "O Lars velejou bem em todas as regatas do campeonato. Ele mereceu ganhar, por causa da consistência, que é fundamental", disse.Mas o resultado foi uma "grande surpresa" para Lars. "Esperava ficar entre os cinco primeiros. A vitória foi gratificante e estimulante para o Mundial (mês que vem, em Buenos Aires). Mas o pensamento é o mesmo, não somos favoritos a nada e a situação será totalmente diferente, com velejadores em melhores condições que a gente." Ele espera ficar entre os 20 primeiros. "Será um excelente resultado", avalia Lars, que não tem dúvida em apontar o favorito: "O meu irmão (Torben Grael) e o Marcelo Ferreira. Sem deixar de lembrar que o Scheidt e o Prada também estão começando agora na categoria e têm tudo para chegar na ponta. O nível interno é muito alto." Aliás, foi de Torben - dono de cinco medalhas olímpicas - o empurrão para Lars mudar da classe Tornado para a Star em 2000, após o acidente que o fez perder a perna direita, em 1998. "Na Tornado, o barco é mais largo e veloz. Por isso, há um deslocamento de um lado para o outro muito grande e esse deslocamento é fundamental com as pernas. Na Star, o barco é mais pesado e estreito. Mesmo assim, quando o vento aumenta me traz desvantagem, acabo sobrecarregando as minhas costas", explica Lars.Para o Mundial, o iatista também não terá muito tempo para se preparar. Será a segunda participação dele no torneio na classe Star. A primeira foi em Los Angeles, em 2002, quando terminou em 32º.Se tem poucos títulos na Star, Lars tem de sobra na Tornado, com destaque para as duas medalhas olímpicas de bronze: em Seul/88 e Atlanta/96. Também competiu em Los Angeles/82 e Barcelona/92.Domingo, após o título, Lars recebeu ligação de Torben, que estava "feliz da vida", diz ele. O secretário conta que o irmão é seu grande entusiasta e o ajuda até mesmo repassando velas antigas. "É o meu guru, é adversário só na água."

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