Chan W. Lee/ The New York Times
Chan W. Lee/ The New York Times

Idade mínima para competições de patinação sobe para 17 após caso de Kamila Valieva

Medida ocorre meses após promissora patinadora russa testar positivo no antidoping e ter participação na Olimpíada de Inverno questionada

Redação, Estadão Conteúdo

07 de junho de 2022 | 09h21

As disputas da patinação artística dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 não terão competidores e competidoras menores de 17 anos. Passados quatro meses do caso de doping da russa Kamila Valieva, então com 15 anos, a União Internacional de Patinação (ISU, na sigla em inglês), anunciou nesta terça-feira o aumento da idade mínima para participação nas competições da categoria.

A nova medida foi definida em votação realizada pelos dirigentes da entidade, encerrada com 110 votos a favor e 16 contra. "É uma decisão muito importante", afirmou Jan Dijkema, presidente da ISU. "Eu diria até que se trata de uma decisão histórica", completou. Segundo a organização, o novo limite já era estudado antes da polêmica com Valieva, mas que o seu caso potencializou o processo.

A mudança será implementada gradualmente, a partir da temporada 2023/2024, na qual a idade mínima subirá para 16 anos. O limite de 17 passará a valer somente na temporada 2024/205, antes da realização da Olimpíada de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália, em 2026. Os Jogos, portanto, serão realizados já de acordo com a nova regra.

Em fevereiro, Kamila Valieva, que completou 16 anos em abril, fez história em Pequim ao se tornar a primeira mulher a realizar saltos quádruplos em uma disputa olímpica, durante a apresentação que rendeu ao Comitê Olímpico Russo o título do evento por equipes da patinação. Exaltada pelo feito e favorita ao ouro no individual, a adolescente viu o cenário mudar após o anúncio de que ela havia testado positivo para trimetazidina, um medicamento para tratamento de angina de peito, detectada após um controle em 25 de dezembro em campeonato no seu país. A defesa da russa apontou que a contaminação se deu por contaminação com um remédio utilizado pelo avô dela.

Apesar do doping, Valieva foi liberada para competir, pois é classificada como "pessoa protegida" por ser menor de 16 anos. Em meio ao cenário caótico, errou bastante e ficou em quarto lugar, atuação que gerou cobranças duras feitas pela treinadora Eteri Tutberidze. "Em vez de tentar ajudá-la, você podia sentir essa atmosfera arrepiante, essa distância", disse Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, sobre a postura de mentora.

Na proposta apresentada para o aumento do limite de idade nas competições, a ISU apontou para o risco de "burnout, distúrbios alimentares e consequências a longo prazo por lesões". Também afirmou que tem "o dever de cuidar de proteger a integridade física, saúde psicológica e a segurança de todos os atletas, incluindo adolescentes de elite do esporte".

No processo sobre o caso, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) afirmou que a situação trouxe "dano enorme e irreparável" à patinadora e criticou a Wada (Agência Mundial Antidoping) pela demora na divulgação do exame antidoping da competidora. Segundo o documento, a defesa apresentou uma série de testes antidoping realizados pela patinadora entre 24 de agosto de 2019 e 7 de fevereiro de 2022, todos negativos.

Neste ano, outros dois testes foram realizados, um em janeiro e outro em fevereiro, ambos negativos. No formulário de Valieva, a patinadora afirma usar apenas LCarnitina, Supradyn e Hypoxen 4, os três permitidos pela legislação.

Outro ponto argumentado pela defesa é a quantidade de substância ilegal encontrada no organismo da competidora. O teste apontou que apenas 2,1 ng/ml foram encontrados no exame, enquanto, segundo os advogados da atleta, seria necessária uma concentração de 966 ng/ml para implicar em efeitos de performance.

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