Idênticos na sede de ganhar títulos

Carismáticos Bob e Mike Bryan formam dupla que não se cansa de levantar taças nos torneios mundo afora

Entrevista com

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2011 | 00h00

Difícil diferenciar Bob de Mike Bryan. Mas nem é preciso. Gêmeos idênticos, os dois fazem sucesso nas quadras de tênis porque juntos formam a dupla mais vitoriosa de todos os tempos. Ano passado, ultrapassaram os lendários Woodies (o time de Mark Woodforde e Todd Woodbridge), que fizeram sucesso na década de 1990. Agora são os recordistas no número de títulos conquistados na modalidade - já têm 68 contra 61 dos australianos.

Os Bryans fazem tanto sucesso nos Estados Unidos que chegaram a ser homenageados na Casa Branca pelo presidente americano Barack Obama. Ainda foram considerados pela Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) a dupla da década de 2000-2009.

Mike é mais velho por dois minutos. Bob, mais alto por três centímetros. O primeiro é destro, o último nasceu canhoto. Quando se aventuraram sozinhos pelo circuito, no começo da carreira, não chegaram a integrar nem o top 100. Lado a lado, no entanto, formam a dupla que domina o circuito há pelo menos seis anos.

"Percebemos que jogar duplas era uma oportunidade de darmos um passo adiante e nos daria a chance de jogar a Copa Davis. Esse era o nosso sonho e, olhando para atrás, acho que foi uma decisão acertada". disse Mike, em entrevista exclusiva ao Estado direto de Melbourne, onde o time conquistou seu 10.º título de Grand Slam com a vitória sobre os indianos Mahesh Bhupathi e Leander Paes na final do Australian Open.

Aos 32 anos, ainda há muito caminho pela frente. Os dois traçaram outra meta bem real: ultrapassar os Woodies também na quantidade de conquistas dos quatro maiores torneios do mundo - os australianos têm 11 troféus. A partir de amanhã os fãs brasileiros poderiam ter o privilégio de assistir de perto a famosa comemoração da dupla (uma batida de peito no ar), mas os dois cancelaram de última hora sua participação no Brasil Open, na Costa do Sauipe.

Os carismáticos Bryans iriam unir o útil ao agradável no País. Fariam a preparação para o duelo com o Chile, em março, pela Copa Davis, e ainda aproveitariam para conhecer um dos lugares mais belos do Brasil. No entanto, Bob teve uma lesão no ombro durante a disputa do Australian Open e foi obrigado a desistir do torneio. "Estamos muito chateados. Definitivamente vamos ter de fazer uma exibição este ano no Brasil ou participar do Brasil Open em 2012", prometeu a dupla no Twitter após o anúncio da desistência.

Vocês dois têm uma longa carreira, sempre jogando juntos. Como fazem para passar tanto tempo juntos sem haver desgaste?

Mike: Definitivamente, sermos irmãos ajuda. Nós fomos criados juntos (na Califórnia) e vivemos juntos por muito tempo. Nossa conexão vai muito além das quadras de tênis. Nos conhecemos tão bem que isso se tornou uma grande vantagem. É claro que, às vezes, a gente discute como quaisquer parceiros, irmãos ou amigos. Especialmente quando a gente perde! (risos) Jogamos juntos desde os tempos de juvenis, passando pela universidade e agora conseguimos fazer história na ATP. Jamais vou jogar com outro parceiro, isso só poderia acontecer na Copa Davis se o capitão decidisse assim.

No início da carreira, vocês imaginavam ter tanto sucesso?

Bob: Para sermos honestos, não. Quando começamos no circuito, os Woodies estavam fazendo história e parecia impossível chegar perto deles. No entanto, com o passar dos anos, nós fomos melhorando. Nunca colocamos isso como nossa prioridade número 1, mas confesso que o ano passado foi muito especial para nós. Fizemos história. Agora são os 11 títulos de Grand Slam dos Woodies que nos motivam. Eles são grandes heróis nossos.

Quando vocês perceberam que era hora de se dedicar apenas à duplas?

Mike: Depois do ano 2000, a gente resolveu se dedicar apenas à duplas. O melhor ranking do Bob foi a 113.ª colocação da ATP, eu fui apenas o 246.º. Percebemos que jogar duplas era uma oportunidade de dar um passo adiante e isso nos daria a chance de jogar a Copa Davis pela equipe dos Estados Unidos. Esse era o nosso sonho e, olhando para atrás, acho que foi uma decisão acertada.

Certamente, até o presidente fez questão de cumprimentá-los...

Mike: Verdade. Não esperávamos encontrar Barack Obama naquele dia. Era apenas uma clínica de tênis para crianças carentes na Casa Branca. Acabamos permanecendo mais tempo do que o previsto por lá e ele apareceu. Nos divertimos, ele foi muito gentil.

Vocês já haviam pensado em vir para o Brasil?

Bob: Sim, ano passado, o Mike e eu estávamos pensando em passar nossas férias no Brasil no final do ano. Nós sempre gostamos muito de assistir à seleção brasileira de futebol jogar, é uma vibração muito legal. Ouvimos muito a respeito das mulheres, praias e, em especial, das pessoas incríveis do País. Nossos bons amigos brasileiros do circuito mundial estão sempre felizes e nós achamos que esta é a maneira brasileira de viver.

Como é o relacionamento de vocês com os jogadores brasileiros?

Bob: Nós temos um ótimo relacionamento. Sempre tivemos uma amizade muito grande com os brasileiros, desde os tempos de Guga e Meligeni. André (Sá) é um grande amigo, jogamos algumas vezes contra ele e também passamos muito tempo juntos fora da quadra. Aguarde para ver a gente tocar umas músicas juntos. (Marcelo) Mello e (Bruno) Soares jogaram bem no ano passado e André e Franco (Ferreiro) estão vindo fortes nesta temporada. Espero que aconteça de nos enfrentarmos. Acho que seria bom para promover as duplas no Brasil. A gente imagina que elas já sejam bem populares aí no País.

Já que falaram de música, como anda a banda de vocês?

Mike: A música é nossa paixão. Sempre que temos um tempo livre, nós tocamos com nossos amigos e nosso pai Wayne (que é advogado e músico). É uma forma muito boa de relaxarmos. Alguns anos atrás nós decidimos criar uma banda e as pessoas ficaram muito empolgadas. Tivemos algumas experiências legais como no US Open do ano passado, em que tocamos para uma grande plateia. Nossos amigos do circuito, Novak (Djokovic) e (Andy) Murray (finalistas da chave de simples do último Australian Open) até fizeram uma música com a gente. Gostamos de agitar.

Agora o Bob é casado (oficializou a união com Michelle Alvarez, namorada de longa data, em dezembro). Como está sendo ter uma terceira pessoa sempre com vocês no circuito?

Bob: Nos conhecemos há muito tempo e ela e a namorada do Mike estão sempre viajando com a gente. Tem sido muito divertido. O circuito é duro, então, ter alguém ao nosso lado faz a gente se sentir mais confortável e relaxado antes e depois de nossos jogos.

QUEM SÃO ELES

IRMÃOS BRYAN

BOB E MIKE DOMINAM O CIRCUITO MUNDIAL HÁ PELO MENOS SEIS ANOS

Os irmãos Bryan disputaram - e venceram - um torneio de duplas pela primeira vez quando tinham 6 anos, na Califórnia. Entre 1996 e 1998, estudaram na Universidade de Stanford, em Palo Alto. Pela instituição, conquistaram o número 1 no ranking universitário, o que os motivou a tentar a sorte no circuito da ATP (Associação de Tenistas Profissionais). O primeiro título profissional veio em 2001, em Memphis, nos EUA.

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