Igualdade ainda é um sonho distante no futebol

A medalha de prata conquistada na Olimpíada de Atenas, em 2004, colocou o futebol feminino brasileiro em outro patamar - ao menos para o reconhecimento público. Com o segundo lugar na Grécia, as jogadoras (que em 2003 haviam conquistado o Pan de Santo Domingo) reiteraram os pedidos de apoio à modalidade, como a realização de torneios e maior tempo de preparação para as seleções. Ganharam promessas que não foram cumpridas. De concreto, apenas a realização do Campeonato Paulista, reiniciado em 2004 e que tem sido disputado desde então.Apenas no fim do ano passado, com o segundo título pan-americano e o vice mundial, a Confederação Brasileira de Futebol organizou um torneio nacional, depois de até o presidente Lula clamar por uma competição feminina. Pressionada, a CBF criou a Copa do Brasil, que durou apenas dois meses, teve pouca divulgação e ainda causou prejuízos aos 32 times que disputaram a competição - o repasse de verbas destinadas aos clubes atrasou. No fim do campeonato, a entidade garantiu que uma segunda edição seria realizada, mas ainda não há datas previstas para isso.O tratamento desigual entre homens e mulheres refletiu-se também no pagamento de premiação. Ricardo Teixeira prometeu às meninas que o pagamento pelo 2.º lugar no Mundial seria proporcional ao prêmio dado aos homens na Copa de 2002. Mas, enquanto cada titular da seleção de Luiz Felipe Scolari recebeu R$ 290 mil pelo penta, as meninas ficaram com apenas R$ 17 mil. Não à toa, as principais jogadoras da campanha brasileira em Pequim, como Marta, Daniela Alves e Cristiane, atuam no exterior. As três jogam na Suécia.

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