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Cheguei ao Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, desci do táxi e mostrei minha credencial de jornalista brasileiro aos policiais. Fui bem recebido e escoltado até a área de imprensa para acompanhar Argentina 3 x 1 Brasil, em junho de 2005, pelas Eliminatórias para a Copa da Alemanha. O clima estava carregado por causa da acusação de racismo feita pelo são-paulino Grafite contra Desábato, jogador do argentino Quilmes, em jogo pela Libertadores, pouco tempo antes, no Morumbi. Não houve, no entanto, nenhum incidente naquela noite.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2013 | 02h02

Apesar da rivalidade histórica entre argentinos e brasileiros, sobretudo no esporte, gostamos de visitar Buenos Aires, Bariloche... E eles adoram frequentar nossas praias. Usamos de ironia ao chamá-los de "hermanos", e vice-versa, mas o fato é que nos damos bem. Os alfajores deles são saborosos, o churrasco é famoso, o tango faz sucesso pelo mundo e seus jogadores têm talento. Messi é o maior exemplo.

Criamos a falsa imagem de que eles só conseguem ganhar de nós no futebol por causa da catimba e, às vezes, da violência, principalmente quando falamos de Libertadores. Bobagem. Eles sabem jogar bola e, não por acaso, são os maiores vencedores da competição continental.

Nos últimos meses, porém, dois clubes mancharam a linda história do futebol argentino: Tigre e Arsenal. Ambos, de baixo nível técnico, apelaram para o antijogo, usaram e abusaram da violência e se mostraram maus perdedores.

O Tigre jogou pesado (e até de forma desleal) contra o São Paulo na final da Sul-Americana, em dezembro, quebrou o vestiário do Morumbi e fugiu de campo. Mesmo assim, a omissa Conmebol permitiu sua presença na Libertadores. Neste ano, a equipe entrou na disputa continental com o que tem de "melhor": o jogo agressivo. Desta vez a vítima foi o Palmeiras. Entre muitas atitudes antidesportivas, destacou-se a covarde cotovelada do zagueiro Orban no palmeirense Ronny, na terça-feira.

Papelão igual fez o Arsenal de Sarandí, anteontem, em Minas, ao partir rispidamente para cima da arbitragem e entrar em confronto com a PM. É verdade que houve um pênalti mal marcado para o Atlético, mas a goleada por 5 a 2 não foi ocasionada pelo erro do juiz - os mineiros foram soberanos. No mês passado, quando o time foi beneficiado contra o São Paulo, no Pacaembu, nenhum atleta protestou.

Alguns policiais podem não ter se portado da maneira mais adequada durante a confusão, mas nada justifica os atos de vandalismo dos argentinos, que chutaram portas, atiraram cadeiras, quebraram vidros e arriscaram golpes por trás.

O brilhante futebol argentino não precisa de clubes como esses, que maltratam a bola e os bons costumes. Já chegou a hora de a Conmebol seguir o exemplo europeu, adotar punições mais rígidas e tentar pôr ordem em sua mais importante competição. Caso contrário, o mundo continuará vendo a Libertadores como um torneio de segunda linha.

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