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Luis Fernando Verissimo
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Imagina nas oitavas

Aquele bordão de antes, "imagina na Copa", pode ser atualizado. Imagina nas oitavas. Vamos pegar o Chile, menos mal, mas o time que ganhou de Camarões, ontem, não deixa ninguém tranquilo. Até entrar o Fernandinho, continuávamos a jogar sem meio-campo. Os próprios jogadores da defesa não confiaram nos companheiros do meio e passaram o primeiro tempo fazendo lançamentos longos para o ataque, por cima deles. Felizmente, Neymar estava iluminado.

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2014 | 02h02

A esta altura do campeonato, já dá para fazer uma seleção da Copa, que é a maneira que comentaristas e palpiteiros - ou seja, a maioria da população brasileira - têm de realizar seu sonho de ser técnico e escalar times, mesmo times imaginários. Numa Copa do Mundo, que reúne os melhores jogadores do planeta, nossa tarefa é ainda mais difícil. Alguns jogadores são indiscutíveis e estão, supõe-se, em todas as listas. Como não concordar que Ochoa, do México, foi o melhor goleiro até agora e que Thiago Silva era o único brasileiro que merecia ser escalado até a atuação do Neymar, ontem? Blind, lateral-esquerdo da Holanda, seria outra unanimidade. Daí para a frente a coisa complica e cada entendido, ou pseudoentendido, tem seu time e suas dúvidas.

Pirlo, da Itália, tem lugar certo no meu meio-campo, mas quem seriam os outros? O alemão Tony Kroos, que não erra passe, o ubíquo Matuidi, da França, que joga no campo todo, o americano Bradley, o chileno Sánchez? Você não pode deixar de escalar um ataque com Van Persie, da Holanda, Benzema, da França, e Neymar, mas e o alemão Müller, o belga Hazard e, meu Deus, Robben, talvez o melhor deles todos? Ainda bem que nosso time dos sonhos jamais entrará em campo e nossas escalações permanecerão, para sempre, hipotéticas. À prova de más escolhas.

O craque de verdade pode ser apenas pontual: basta fazer uma jogada de craque no jogo todo para preservar sua reputação. Cristiano Ronaldo, que passa todo o tempo se olhando no telão, certamente não gostou do que viu na partida contra os EUA. Estava péssimo. Mas fez uma só jogada de craque, o centro para o gol de empate de Portugal, para se redimir e continuar se admirando. Messi também só precisou dar um chute sensacional e marcar o gol da Argentina contra o Irã para justificar sua presença em campo. O craque é assim: não precisa ser craque sempre. Só na hora certa.

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