Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Impasse pode custar ida de Ganso ao São Paulo

Exigência do Santos em ter perdoada uma dívida antiga com a DIS irritou a empresa. 'Não vejo muita saída', diz executivo

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h08

O impasse envolvendo Santos e DIS chegou a um ponto sem saída que pode custar a negociação de Paulo Henrique Ganso com o São Paulo. A exigência do clube em ter perdoados R$ 4 milhões referentes aos 50% da dívida que o clube tem por não ter repassado o dinheiro da transferência de Wesley para o Werder Bremen, da Alemanha, em 2010, irritou a empresa, que não se dispõe a ceder ainda mais para facilitar a negociação depois de injetar R$7,5 milhões para tirar o atleta da Vila Belmiro.

"Não estou vendo muita saída para essa situação", afirmou ao Estado um alto executivo do DIS envolvido na negociação. Delcir Sonda, dono do Grupo, está pessoalmente envolvido e passou a tarde na busca de alguma solução, que não veio. A situação entre o Alvinegro e o empresário é péssima e piorou sensivelmente nos últimos dias. O DIS ganhou na Justiça o direito a penhorar 20% das receitas do clube por causa do calote.

Após o São Paulo mandar a quarta proposta para o rival, esperava-se finalmente que a negociação fosse concretizada. No entanto, os santistas divulgaram uma nota oficial afirmando ter chegado a um acordo com o Tricolor, mas condicionando a liberação à resolução do imbróglio judicial. "Os assessores jurídicos do Santos FC não recomendam a negociação enquanto houver pendências na Justiça envolvendo parte dos direitos econômicos do atleta junto à empresa DIS. Esta situação é de conhecimento do São Paulo FC", diz parte do comunicado assinado pelo Comitê de Gestão.

O Tricolor tem se mantido em silêncio e se vê de mãos atadas. Na última proposta oferecida o clube até adicionou uma cláusula que prevê o repasse de um porcentual de uma venda futura para fazer o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro desistir de bater o pé pelo perdão do DIS. A forma como o Santos tem tratado o adversário - indo a público recusar propostas e fazendo exigências de última hora - também causa desconforto.

Embora ainda não seja certo o naufrágio da negociação, DIS e São Paulo já trabalham com a possibilidade de voltar à carga para tirá-lo da Vila Belmiro só em 2013. A partir de fevereiro, a multa cai e o Santos passa a ter direito a R$16 milhões. A intenção prioritária é fechar até sexta-feira, no entanto o prazo é curto e as possibilidades parecem cada vez mais remotas.

Sumido. Ganso segue calado enquanto espera uma definição. O jogador não compareceu ao CT Rei Pelé para continuar o tratamento da lesão na coxa esquerda. A expectativa é que ele só volte a dar as caras caso não seja negociado. Pessoas próximas ao meia dizem que ele tem sentido demais a indefinição e está ansioso para ir para o Morumbi.

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